
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (13) que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia, “no terreno hipotético da investigação”, uma posição de liderança na suposta “arquitetura criminosa” apurada no caso Dark Horse.
Ao analisar documentos enviados pela Justiça de São Paulo, Dino declarou que a investigação fortaleceu a hipótese de um “sofisticado esquema” de destinação e desvio de recursos públicos. O caso envolve o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na decisão, o ministro mencionou suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares federais e recursos relacionados à Prefeitura de São Paulo. Dino também citou uma linha investigativa que apura possíveis vínculos da organização com o PCC, o Primeiro Comando da Capital.
“No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos”, escreveu o ministro. A menção a Frias integra uma apuração ainda em curso e não representa condenação.
PF receberá aparelhos e dados recolhidos pela polícia paulista
Dino determinou a transferência à custódia da Polícia Federal de celulares, computadores e documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo. A Secretaria de Segurança Pública paulista também deverá entregar à corporação federal o material bruto extraído dos telefones recolhidos em junho, inclusive itens que ainda passam por perícia.
O ministro autorizou ainda a inclusão de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), solicitados pela Polícia Federal em maio e reiterados no início de setembro. Para Dino, os dados podem confirmar ou afastar caminhos relevantes da investigação.
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira contra Frias, a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete do deputado, e Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina.
Os agentes também fizeram buscas em endereços do Instituto Conhecer Brasil, da Academia Nacional de Cultura e da Go Up Entertainment, entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama. Dino ordenou que o diretor-geral da Polícia Federal adote medidas imediatas junto às autoridades estaduais para cumprir a transferência do acervo apreendido.