
A Polícia Federal estima que os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana receberam ao menos R$ 6,8 milhões por uma “assessoria informal” ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os dois chefiavam o Departamento de Supervisão Bancária e foram afastados da instituição.
A investigação aponta que a dupla repassava orientações para Vorcaro defender os interesses do Master em reuniões com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, e outros diretores. A apuração identificou mensagens, planilhas e contratos de gaveta que indicariam a circulação dos recursos.
Segundo a PF, os pagamentos chegaram aos servidores por meio de uma triangulação envolvendo operadores de Vorcaro. Leonardo Palhares aparece nos documentos como operador financeiro do banqueiro e em uma anotação destinada a Belline.
Os investigadores calcularam o valor mínimo de R$ 6,8 milhões a partir do material apreendido. A estimativa considera apenas os repasses que a PF conseguiu identificar nos documentos e nas conversas analisadas.

Planilhas registram parcelas entre R$ 500 mil e R$ 760 mil
O fluxo de valores associado a Belline Santana teria começado no fim de 2023. A primeira parcela registrada pela PF data de 26 de outubro daquele ano, enquanto as anotações posteriores trazem cifras entre R$ 500 mil e R$ 760 mil.
Em outubro de 2024, uma nota atribuída a Palhares indicou o pagamento de R$ 760 mil a Belline. Em janeiro de 2025, uma lista de pendências vinculou o nome do servidor a R$ 750 mil.
Uma planilha de setembro de 2025 também discriminou uma despesa de R$ 500 mil para Belline, conforme o relatório policial. Os registros formam a base documental usada para estimar os valores recebidos pelos dois funcionários.
O relatório seguiu para o Supremo Tribunal Federal. Na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça retirou o sigilo desta e de outras investigações relacionadas ao Banco Master, após pedido do presidente do STF, Edson Fachin.