
A Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro antes da sessão marcada para terça-feira (15).
Em nova manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que os integrantes do tribunal devem conhecer previamente “a integralidade dos dados necessários” para formar convicção sobre o caso. O documento também é assinado pelos subprocuradores-gerais Antônio Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos e pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand Filho, que havia apresentado o primeiro pedido de acesso total ao material.
A cobrança se soma às manifestações de Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Zanin rebateu a justificativa de André Mendonça para manter lacrada a cópia de segurança e sustentou que todos os julgadores devem ter a mesma oportunidade de examinar os elementos do processo antes da sessão. Moraes também defendeu a abertura integral e afirmou que “não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado”.

Mendonça informou a Fachin que o aparelho físico de Vorcaro permanece sob guarda da Polícia Federal, para preservar a cadeia de custódia, e que seu gabinete possui somente uma cópia de segurança em um disco rígido criptografado enviado pela PF em março. Segundo o ministro, essa cópia permanece intacta e lacrada.
Gilmar Mendes também aumentou a pressão por acesso integral aos dados. O decano pediu a Fachin que, caso Mendonça não disponibilize os arquivos, a Presidência do STF solicite diretamente à Polícia Federal o envio das cópias aos gabinetes. Para Gilmar, o acesso restrito ao material compromete a paridade entre os integrantes da Corte e a colegialidade do julgamento.
A sessão de terça-feira deverá analisar relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. O conteúdo do celular se tornou um dos principais focos da crise interna no Supremo depois que trechos das conversas vieram a público e passaram a alimentar questionamentos sobre a condução das investigações do Banco Master.