
Richard Dobrich, ex-diretor regional da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA), condecorado por uma operação no Afeganistão, aparece nas despesas de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A Folha de S.Paulo mostrou que seu nome consta em notas de hospedagem apresentadas pela Go Up Entertainment à Polícia Federal. O Estadão o identifica como um dos agentes de Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente, hospedados no hotel Unique, em São Paulo.
O DCM localizou uma apresentação oficial de 2011, preservada em um repositório militar estadunidense, na qual Dobrich assina como chefe do FAST, unidade da DEA voltada a operações no exterior. O documento descreve missões de treinamento de forças estrangeiras, coleta de provas e inteligência para investigações dos Estados Unidos e ações bilaterais. Também prevê integração com forças de operações especiais.
Richard recebeu a Insígnia de Bravura do Congresso para Agentes de Segurança Pública por uma operação contra narcóticos e armas no Afeganistão, em 14 de fevereiro de 2010. Segundo o relato oficial, liderava uma equipe quando foi atingido no colete balístico e, depois, ferido na mão e na perna durante um confronto. Outros agentes e um militar prestaram socorro, e ele foi evacuado.

No currículo publicado pela empresa de segurança Resolute Security Solutions, Dobrich afirma que se aposentou da DEA em 2018, após 28 anos de serviço. Ocupou os cargos de diretor regional para os Andes e vice-chefe de operações. A biografia atribui às suas funções a articulação da agência com a CIA, o Departamento de Defesa e o escritório de política antidrogas da Casa Branca.
Em outro documento é registrado a ligação profissional de Dobrich com a Linxx Global Solutions. Uma proposta de julho de 2023 apresenta Richard como gerente de projeto de uma equipe de consultoria em segurança formada pela Rileen e pela Linxx. Esta última também aparece em registro oficial de seleção do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 2024, para um programa de treinamento antiterrorismo.
Dobrich é indentificado como um dos agentes de Jim Caviezel durante a passagem do ator pelo Brasil, mas a natureza exata de sua participação em “Dark Horse” permanece uma questão a ser esclarecida pela investigação. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que o filme não recebeu dinheiro público. Em nota de esclarecimento, a Go Up afirma que cumpre suas obrigações contratuais e se coloca à disposição das autoridades.