Dino aponta ausência “curiosa” no Coaf sobre R$ 6,1 milhões ligados a “Dark Horse”

Ministro Flávio Dino
Ministro Flávio Dino. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino apontou uma ausência “curiosa” de informações financeiras da Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade controlada pela empresária Karina Gama, ao autorizar a Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (11). A decisão trata da circulação de recursos entre organizações ligadas à produtora executiva do filme “Dark Horse”.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu uma comunicação sobre a ANC entre maio de 2025 e maio de 2026, mas registrou apenas R$ 564 mil em depósitos e R$ 524 mil em pagamentos. Os valores destoam das transferências à entidade identificadas em relatórios sobre outras empresas.

“Assim, constata-se registros do envio de um total de R$ 6.175.273,64 para a ANC, o que, novamente, torna curioso o não recebimento de comunicações simétricas referentes às contas da mencionada organização da sociedade civil”, escreveu Dino. O ministro disse que a discrepância leva a crer que a entidade possa ter outra conta bancária não contemplada nos dados analisados.

Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal
Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

Repasses do ICB à entidade controlada por Karina Gama

A Polícia Federal localizou R$ 6,1 milhões que saíram de fornecedores do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e chegaram à ANC. O ICB mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo e também recebeu emendas parlamentares, entre elas recursos destinados pelo deputado federal Mário Frias.

A ANC organizou a feira tecnológica gospel Connect Faith, em São Paulo, no segundo fim de semana de junho de 2025. A prefeitura pagou diretamente R$ 3,5 milhões a fornecedores para apoiar o evento, que teve apresentação do cantor americano Kirk Franklin e ingressos promocionais de R$ 500. A maior parte dos repasses dos fornecedores do ICB à ANC ocorreu após a feira.

Os relatórios também detalham R$ 8,9 milhões recebidos pela Go Up Entertainment brasileira em 50 dias, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Entre os valores listados estão R$ 3,9 milhões de um banco de câmbio, R$ 2,4 milhões da GO7, R$ 1 milhão do publicitário Marcello Lopes, R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645 mil enviados por Mário Frias como pessoa física.

A Go Up registrou gastos com itens usuais de uma produção audiovisual, como hotéis, alimentação e produtoras. Uma perícia privada contratada pela empresa calculou despesas de R$ 20,9 milhões no Brasil e de outros R$ 54 milhões nos Estados Unidos, mas analisou somente documentos fornecidos pela própria contratante.

Dino citou “fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro”. A decisão não determinou quebra dos sigilos fiscal e tributário das empresas, e os documentos públicos não incluem relatórios completos sobre as movimentações da GO7.

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