
A jornalista Flávia Oliveira questionou nesta sexta-feira (11) por que a sociedade brasileira só tomou conhecimento agora de que Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal no caso “Dark Horse”. Durante o Estúdio i, da GloboNews, ela destacou que o senador ocupa o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência e que a existência do inquérito é uma informação relevante para o eleitorado às vésperas da votação.
“Por que a sociedade brasileira só soube disso hoje, 11 de setembro, e a partir de toda essa escalada de crise no Supremo Tribunal Federal?”, perguntou. Flávia lembrou que Flávio Bolsonaro é investigado no STF no inquérito sobre o financiamento de “Dark Horse”, que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Não há, até o momento, condenação ou conclusão da investigação contra o senador.
A jornalista comparou o caso à divulgação de investigações envolvendo políticos de diferentes campos. Citou Jaques Wagner, Ciro Nogueira e o ex-governador Cláudio Castro e afirmou que o mesmo critério de publicidade deve valer para todos. Também mencionou Fábio Luís Lula da Silva para sustentar que o interesse público existe independentemente da filiação ou da relação familiar do investigado com candidatos e presidentes.
“Tão importante quanto saber que o senador Jaques Wagner, que o senador Ciro Nogueira, que o ex-governador Cláudio Castro e tantos outros […] é saber que Flávio Bolsonaro […] está sendo investigado pela Polícia Federal”, afirmou. Para Flávia, o ponto central não é antecipar culpa, mas permitir que o eleitor saiba da existência de uma investigação relevante antes de decidir seu voto.
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A cobrança ocorre depois de uma longa controvérsia sobre o sigilo das apurações ligadas ao Banco Master. Ainda em 2 de setembro, Vera Magalhães já havia cobrado que André Mendonça retirasse o sigilo da investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e os recursos de Vorcaro para “Dark Horse”. A pressão aumentou nos dias seguintes, em meio às acusações de publicidade seletiva nas investigações sob relatoria do ministro.
Na quinta-feira (10), Mendonça levantou o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master. Nesta sexta, após nova cobrança da Procuradoria-Geral da República e de Edson Fachin, o ministro abriu outra leva de processos, incluindo a PET 16.369, ligada à investigação de “Dark Horse”. Foi essa sequência que permitiu tornar pública de maneira inequívoca a condição de Flávio Bolsonaro como investigado na frente que apura o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
“Essa decisão da quebra do sigilo e do conhecimento público é muito importante, já deveria ter sido anunciada”, concluiu Flávia. Para a jornalista, a abertura ocorre ainda a tempo de o eleitor considerar o episódio ao avaliar “rigorosamente todos os casos e todas as candidaturas”.