Lula chega à eleição com menor inflação acumulada desde o Plano Real

Lula
O presidente e candidato a reeleição, Luís Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O terceiro governo Lula chega à reta final da eleição presidencial com a menor inflação acumulada até agosto do quarto ano de mandato desde a criação do Plano Real. O IPCA subiu 17,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo a partir dos dados do IBGE.

Até então, o melhor resultado nesse recorte pertencia ao segundo governo Lula. Entre janeiro de 2007 e agosto de 2010, o IPCA havia acumulado alta de 19%. No governo Jair Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, a inflação acumulada no mesmo intervalo chegou a 25,3%.

Nesta sexta-feira (11), o IBGE informou deflação de 0,32% em agosto. O resultado foi favorecido pela redução da conta de energia com o bônus de Itaipu, mas alimentos importantes também ficaram mais baratos no mês. Batata-inglesa caiu 19,89%, cenoura, 11,22%, cebola, 11,07%, tomate, 10,94%, ovos, 4,15%, e café moído, 1,86%. Em julho, o IPCA já havia desacelerado para 0,07%, com inflação de 4,44% em 12 meses.

O período teve choques cambiais e climáticos menos intensos que os observados em outros governos, boas safras ajudaram a conter os preços dos alimentos e a política de juros elevados do Banco Central também contribuiu para frear a demanda e a inflação. O efeito dos juros, porém, tem como contrapartida o encarecimento do crédito e a limitação do crescimento econômico.

IPCA
Foto: Arte/DCM

O quadro não significa que o custo de vida tenha deixado de ser um problema. A inflação mede a velocidade com que os preços sobem, e não desfaz aumentos acumulados anteriormente. Alimentos ainda carregam parte da forte alta ocorrida durante a pandemia, enquanto 82% das famílias brasileiras tinham alguma dívida a vencer em agosto, segundo a Confederação Nacional do Comércio. Essa diferença entre inflação mais baixa e nível ainda elevado de preços ajuda a explicar por que o supermercado continua no centro da campanha. Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem usado vídeos sobre compras de alimentos para atacar o governo, inclusive com conteúdo que omitiu itens registrados na nota fiscal.

Ao mesmo tempo, a inflação menor se soma a indicadores favoráveis do mercado de trabalho. Para o economista Sergio Vale, da MB Associados, inflação e desemprego estão em alguns de seus melhores momentos. “Se o Lula perder agora, não vai ser por conta da economia. Vai ser por outras questões mais relacionadas à política”, afirmou.

A economia entra assim nas últimas semanas da campanha como um dos ativos do presidente. Lula segue à frente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, embora a disputa tenha se estreitado. Na Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (10), o presidente apareceu com 43% no primeiro turno, contra 37,4% do adversário. O dado histórico da inflação reforça esse flanco econômico, mas convive com endividamento elevado e uma percepção de carestia que continua sendo explorada pela oposição.

Artigo Anterior

Jornalista da GloboNews critica demora na divulgação de investigação sobre Flávio Bolsonaro

Próximo Artigo

Coaf: igreja gerida por cunhado de Vorcaro teve R$ 57 milhões em operações atípicas

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!