Por Ronaldo Leite, presidente interino da CTB
Nesta reta final da campanha eleitoral presenciamos uma crise institucional deliberadamente provocada pelo ministro bolsonarista do STF, André Mendonça, com o propósito de criar um ambiente de caos no cenário político nacional para acobertar e favorecer o candidato da extrema direita à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Relator do inquérito que apura os repasses bilionários do banqueiro Daniel Vorcaro para Flávio Bolsonaro, Mendonça chegou ao ponto de afastar de seus cargos por liminar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, extrapolando suas prerrogativas e invadindo as competências do Poder Executivo.
É preciso observar que os dois dirigentes da Polícia Federal foram os responsáveis, entre outros feitos, pela prisão do banqueiro Vorcaro; pela operação Carbono Oculto, contra uma rede bilionária de lavagem de dinheiro, fraude fiscal e adulteração de combustíveis ligada ao crime organizado, pelas prisões do “Careca do INSS” e dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
O objetivo mal disfarçado do ministro bolsonarista foi frear as investigações contra o candidato da extrema direita à Presidência. Ao mesmo tempo, ele busca desmoralizar o ministro Alexandre Moraes, responsável pela prisão do golpista Jair Bolsonaro, expondo e explorando suas relações com o dono do banco Master. Uma conduta que divide e compromete a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Flávio Dino reagiu à manobra ilegal de André Mendonça, anulando sua liminar e devolvendo os cargos aos diretores da PF, alegando que a decisão do colega interfere no andamento do inquérito inquérito, que investiga se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Diante do impasse, o presidente da Corte, ministro Édson Fachin, decidiu suspender a decisão de Mendonça e também determinou a retirada do sigilo das investigações do caso Master.
Desse modo, o STF virou palco de uma acirrada luta política que tem por pano de fundo as eleições de outubro, que serão decisivas para o futuro da democracia, da soberania nacional, bem como dos direitos, conquistas e demandas da nossa classe trabalhadora.
É fundamental compreender que a ação de Mendonça, golpista e ilegal, não é fato isolado. Ocorre nos marcos da disputa eleitoral polarizada e integra um plano ardiloso da extrema direita para favorecer Flávio Bolsonaro, instalar o caos institucional e derrotar o presidente Lula.
Forças poderosas agem nos subterrâneos com esta finalidade, incluindo os neofascistas abrigados no governo Trump, a quem o vende-pátria Flávio Bolsonaro já prometeu entregar nossas terras raras e minerais críticos.
Com a retirada do sigilo do Caso Master, já veio a público que Flávio Bolsonaro, o senador das rachadinhas, é investigado pela Polícia Federal no inquérito aberto no STF para apurar o financiamento do filme ‘Dark Horse’. O candidato da extrema direita recebeu ao menos R$ 65 milhões do hoje presidiário Daniel Vorcaro no bojo da maior fraude financeira e bancária da história do Brasil.
Para que os fatos sejam devidamente conhecidos pela sociedade, o presidente do STF tomou nova decisão nesta sexta-feira (11) determinando a quebra total e não apenas parcial do sigililo das investigações do caso Master, acatando recomendação da Procuradoria Geral da República e indo ao encontro de um apelo do presidente da República.
A CTB denuncia as manobras golpistas da extrema direita protagonizadas pelo ministro André Mendonça, que a exemplo da malfadada Operação Lava Jato procura transformar o Poder Judiciário num instrumento político das forças reacionárias. É imperioso ampliar a mobilização social para deter a ofensiva do neofascismo, desmascarar as falsas narrativas que os bolsonaristas propagam pelas redes sociais com apoio das big techs e derrotá-los nas urnas.
A reeleição do presidente Lula, neste contexto, adquire importância estratégica para a preservação da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais conquistados pelo povo brasileiro, além de favorecer a luta contra o imperialismo por um novo projeto de desenvolvimento nacional. As lideranças classistas devem redobrar os esforços para garantir a vitória das forças democráticas e progressistas em todas as esferas da batalha eleitoral.