
O diretor de “Dark Horse”, Cyrus Nowrasteh, se manifestou nas redes sociais sobre os valores milionários atribuídos ao filme sobre Jair Bolsonaro e expôs uma discrepância na prestação de contas da produção. Segundo o cineasta americano, a cifra divulgada para o projeto está “ridiculamente inflada” quando apresentada como custo de produção, já que inclui também gastos projetados com marketing e publicidade.
O projeto é associado a uma cifra total de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. O mesmo valor apareceu nas informações sobre a busca de financiamento para “Dark Horse”: Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tomou grana do banqueiro Daniel Vorcaro para, supostamente, financiar o projeto.
“Os números que estão sendo divulgados sobre o custo do filme estão ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing de ‘Dark Horse’. Marketing e publicidade de um filme frequentemente custam mais do que a própria produção. Nos Estados Unidos, não juntamos os dois, como fazem no Brasil. Por favor, tenham isso em mente. Os custos de produção deste filme foram menores do que os da maioria, se não de todos, os filmes mencionados”, afirmou Nowrasteh no X.
A declaração do próprio diretor muda a comparação com produções vencedoras do Oscar. “Moonlight: Sob a Luz do Luar” teve custo de produção de US$ 4 milhões; “Nomadland”, US$ 5 milhões; “Anora”, US$ 6 milhões; “Parasita”, US$ 11,4 milhões; e “O Discurso do Rei”, US$ 15 milhões.
Na sequência aparecem “Birdman”, com US$ 18 milhões; “A Forma da Água”, com US$ 19,5 milhões; “Spotlight”, com US$ 20 milhões; e “Green Book”, com US$ 23 milhões. Esses números se referem aos respectivos custos de produção, enquanto, segundo Nowrasteh, os US$ 24 milhões associados a “Dark Horse” reúnem despesas de naturezas diferentes.
O diretor não informou quanto efetivamente custou a produção de “Dark Horse”. Ele afirmou apenas que esse valor foi inferior ao da maioria, “se não de todos”, os filmes citados na comparação. Por isso, não é possível estabelecer, a partir de sua declaração, qual foi exatamente o orçamento usado para rodar o longa.
The numbers being thrown around for the movie’s cost are ridiculously inflated. They include projected marketing costs for “Dark Horse.” Marketing & publicity for a movie often exceeds production costs. In the USA we do not combine the two, as they do in Brazil. Please keep that…
— CyrusN (@CyrusNowrasteh) September 10, 2026
A fala, porém, abre uma diferença entre a cifra captada ou projetada para o projeto e o dinheiro efetivamente destinado à produção. Segundo a explicação de Nowrasteh, parte dos US$ 24 milhões estaria relacionada a marketing e publicidade, despesas que, segundo ele, podem superar o próprio custo de realização de um filme.
Ele tomou um chapéu.
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que fez sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos, usado para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O fundo é gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro.
As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025, a mando de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Elas totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
Eduardo também havia defendido publicamente o valor associado ao projeto. Em entrevista ao programa de Paulo Figueiredo, afirmou: “É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é supercaro. Não. Para os padrões de Hollywood, não”. Ele também declarou: “Você não faz um filme de 50 mil dólares com o Jim Caviezel”.
Flávio inicialmente negou a existência do áudio em que aparece tratando da captação, mas depois confirmou ter procurado recursos privados para o projeto. “Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou.