A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pode dar novo impulso à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) entre o eleitorado bolsonarista, especialmente entre os evangélicos, segundo avaliação de Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e do Data Favela.
Para o pesquisador, a disputa envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça pode ser transformada em uma espécie de “cruzada” pelo bolsonarismo e recuperar parte do engajamento que Michelle Bolsonaro havia conquistado entre os eleitores evangélicos. Mendonça, que é pastor, recebeu manifestações públicas de apoio de líderes religiosos e da própria Michelle durante a crise.
Meirelles avalia que a crise dificilmente fará Lula perder votos de forma significativa, mas pode reanimar eleitores de direita que já consideravam praticamente definida a eleição presidencial. Segundo ele, a associação entre Moraes e Lula é disseminada entre parte do eleitorado e, diante das denúncias envolvendo o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, pode reforçar a percepção de injustiça entre eleitores bolsonaristas.
Na avaliação do pesquisador, o eleitor de centro permanece cansado da polarização, enquanto parte do eleitorado de direita, antes desmobilizada, voltou a se engajar. Nesse cenário, os evangélicos seriam um dos grupos mais importantes para a campanha de Flávio Bolsonaro.
Meirelles também aponta a classe C como um dos principais grupos capazes de definir a eleição. Segundo ele, esse segmento representa cerca de 53% do eleitorado e reúne pessoas com renda familiar média de R$ 3,5 mil. O pesquisador afirma que esse público está dividido entre Lula, o bolsonarismo e eleitores que ainda não decidiram seu voto.
Para ele, a redução da jornada de trabalho na escala 6×1 pode ter forte impacto eleitoral porque beneficia não apenas os trabalhadores diretamente afetados, mas também suas famílias. Ao mesmo tempo, temas como segurança pública e redução da maioridade penal aproximam parte da classe C do bolsonarismo.
Na avaliação de Meirelles, a economia continua sendo um fator importante para a disputa, mas a percepção da população é pior do que os indicadores macroeconômicos sugerem. Endividamento, juros elevados e dificuldades para pagar as contas fazem com que o governo tenha dificuldade para transformar resultados econômicos em ganhos eleitorais.
Sobre a corrida presidencial, o pesquisador afirma que Flávio Bolsonaro vem recuperando parte dos votos que pertenciam ao pai, enquanto Lula permanece relativamente estável. Para Meirelles, as pesquisas de segundo turno devem ser vistas mais como indicação de tendência do que como um retrato definitivo, já que ainda há tempo para mudanças no cenário eleitoral.
*Com informações da BBC Brasil.
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