O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo da decisão que fundamentou a operação da Polícia Federal focada no caso do filme Dark Horse, cinebiografia ficcional do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A liberação dos autos pelo relator escancara os detalhes da teia de desvios e subcontratações irregulares envolvendo emendas parlamentares. A queda da restrição torna público os meandros das investigações que miram o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment e dirigente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Embora a ofensiva policial tenha repercutido amplamente pela apreensão de um arsenal em nome do deputado Mário Frias e por atingir a cúpula de produções ligadas ao bolsonarismo, a abertura do inquérito detalha as conexões financeiras e o modus operandi da organização criminosa.
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O material detalha como os recursos públicos carreados para o projeto cinematográfico circulavam por meio de entidades do terceiro setor antes de serem repassados a empresas sem a devida comprovação dos serviços.
De acordo com os detalhes das investigações, Mario Frias atuou diretamente na facilitação e destinação de recursos públicos de emendas parlamentares para o projeto, a empresária Karina Ferreira da Gama é apontada como a peça central na gestão das entidades do terceiro setor e das empresas de fachada, sendo responsável por coordenar a rede de subcontratações sem lastro real que permitiu o escoamento dos valores milionários.
Os autos revelam ainda a participação de outros operadores estratégicos na engrenagem financeira e administrativa do esquema montado. Entre eles destacam-se Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete de Mario Frias, e Kayo Henrique Azevedo, apontado como responsável técnico por projetos do Instituto Conhecer Brasil e cujos vínculos familiares e de assessoria cobriam o pagamento de despesas de aliados do parlamentar. A rede contava ainda com a articulação de figuras do núcleo político ligado à família Bolsonaro e conexões com o financiamento capitaneado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As condutas apuradas no inquérito configuram uma série de crimes graves contra a administração pública e o sistema financeiro, com os investigados respondendo por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e constituição de organização criminosa.