
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito enviou uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir a retirada do sigilo das investigações sobre o caso Master. O movimento defende a divulgação dos elementos reunidos no inquérito em meio à repercussão do caso.
No documento divulgado na quinta-feira (10), a entidade se dirige a Mendonça como “irmão na fé em Jesus Cristo”. A frente reúne integrantes de diferentes denominações evangélicas e declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.
Os autores da carta afirmam que a gravidade do escândalo exige que o ministro conduza as apurações “com transparência, serenidade e imparcialidade”. O pedido mira a abertura das informações que hoje permanecem protegidas por sigilo.
A frente também criticou os “vazamentos seletivos” relacionados ao caso. Para o grupo, esse tipo de divulgação alimenta versões, atinge adversários e pode transformar uma investigação em instrumento político durante o período eleitoral.

Carta cobra tratamento igual para envolvidos no caso Master
“O mesmo critério deve valer para todos. Não pode haver rigor para uns e proteção para outros, sejam aliados, sejam adversários, sejam ministros, sejam candidatos, sejam irmãos na fé”, afirma a carta enviada ao magistrado.
O texto pede que venham a público documentos, mensagens, decisões e relações de todos os envolvidos nas investigações. A entidade sustenta que a publicidade dos dados permitiria esclarecer a atuação de cada pessoa citada no caso.
O grupo também afirmou que a fé não deve servir para levantar suspeitas contra outros evangélicos nem funcionar como “escudo, palanque ou instrumento eleitoral”. A carta acrescenta que “o Deus a quem servimos não precisa de proteção do Estado”.
Em manifestação no dia 9 de setembro, Lula também cobrou a quebra completa do sigilo no caso Master, dizendo que a apuração deve avançar “doa a quem doer”. O presidente reclamou igualmente de vazamentos seletivos ligados às investigações.