Mario Frias e produtora de “Dark Horse” são alvos de operação da PF

Karina Gama e Mário Frias. Foto: reprodução

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP), a produtora Karina Gama e outras 20 pessoas na investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação não inclui mandados de prisão.

O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Flávio Dino. A investigação começou em São Paulo, mas chegou à Corte por envolver suspeitas sobre o uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a empresas ou entidades ligadas à produção.

“Dark Horse” tem o ator estadunidense Jim Caviezel no papel de Bolsonaro. A PF apura se valores recebidos pela produtora tiveram origem e destinação compatíveis com os contratos e as justificativas apresentadas para financiar o longa.

Outro inquérito no STF, relatado pelo ministro André Mendonça, examina transferências atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. A apuração busca identificar o percurso dos recursos e a ligação deles com o filme.

Mário Frias durante as gravações de “Dark Horse”. Foto: reprodução

Delação cita repasses de US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos. Em acordo assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele afirmou que sua empresa fez sete repasses ao Havengate entre janeiro e setembro de 2025.

As transferências, classificadas como subscrições de cotas do fundo, somaram US$ 12,333 milhões, valor que equivalia a cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. Mineiro declarou que Vorcaro solicitou as operações após pedidos de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.

O empresário afirmou que Vorcaro o procurou pelo WhatsApp entre o fim de 2024 e o início de 2025 para viabilizar os envios ao exterior. “A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições”, declarou, mas sete transações foram efetivamente realizadas.

Mineiro entregou comprovantes das transferências e e-mails trocados com Paulo Calixto, apontado como responsável pelo fundo e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele disse não saber qual destino o Havengate deu aos valores enviados pela Entre Investimentos.

A PF também investiga se recursos movimentados por uma empresa de Mineiro sediada nas Bahamas seguiram para o Havengate ou para pessoas ligadas ao fundo. A defesa do delator não comentou o caso por causa do sigilo judicial.

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