
O ex-ministro da ditadura Ângelo Calmon de Sá, condenado por fraude no caso do Banco Econômico, doou R$ 400 mil à Direção Nacional do PL e aparece como o terceiro maior doador pessoa física da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O repasse consta no sistema Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com informações da Folha.
Calmon de Sá, de 91 anos, comandou o Banco Econômico e integrou o governo de Ernesto Geisel como ministro da Indústria e Comércio, entre 1977 e 1979. A doação partidária entrou na contabilização da campanha de Flávio Bolsonaro, que liderava a arrecadação eleitoral na disputa pelo Palácio do Planalto.
Os R$ 400 mil colocam o ex-banqueiro atrás de Fernando de Castro Marques, CEO da União Química Farmacêutica, e de Erasmo Carlos Battistella, dono da produtora de biodiesel Be8. Cada um deles destinou R$ 500 mil à candidatura do senador.
A campanha havia arrecadado R$ 44,4 milhões. Desse total, R$ 42 milhões vieram do Fundo Especial do PL; Flávio Bolsonaro também declarou R$ 12.285 em recursos próprios. O prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter, repassou R$ 300 mil, enquanto Waldemar Verdi Júnior, presidente do conselho de administração da Rodobens, doou R$ 180 mil.

Condenação e liquidação do Banco Econômico
Calmon de Sá assumiu a presidência do Banco Econômico em 1979. Uma década depois, um relatório do Banco Central classificou sua administração como temerária, após investigações sobre empréstimos a empresas ligadas a diretores da instituição.
O Banco Central interveio no Econômico em agosto de 1995 e bloqueou os bens e as contas do banqueiro. A instituição enfrentava patrimônio negativo após o Plano Real e apresentava balanços supostamente maquiados.
Durante a intervenção, o Banco Central apurou o escândalo conhecido como “pasta rosa”. Registros apontaram que o banco destinou US$ 2,4 milhões a candidaturas nas eleições de 1990, em uma época em que a legislação proibia doações empresariais. A Polícia Federal tratou as operações como crime tributário.
O Banco Central decretou a liquidação do Econômico em 1996. O processo bloqueou as contas de 900 mil clientes, fechou 276 agências e provocou a demissão de 9.500 funcionários. Em 2007, a Justiça Federal condenou Calmon de Sá a 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado; a defesa apresentou recursos e habeas corpus, citando prescrição e idade avançada. Não há registros de cumprimento da pena.