
A Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves, para depor no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Todos devem ser ouvidos como testemunhas.
A ordem, emitida em 3 de agosto, também prevê um novo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. As oitivas ainda não ocorreram porque os investigadores tinham outros interrogatórios agendados no mesmo caso.
A investigação apura suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro cooptou dois servidores da área de supervisão bancária do Banco Central: Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, ex-chefe e ex-chefe adjunto do departamento. A PF suspeita que eles tenham recebido propina para repassar informações internas sobre a fiscalização do Master e prestar assessoria informal ao empresário.
Belline e Paulo Sérgio foram afastados de suas funções na terceira fase da Operação Compliance Zero. Os dois negam favorecimento indevido e participação em irregularidades. Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto.

Depoimento de servidor citou reuniões sobre o Banco Master
A PF decidiu ouvir Galípolo, Campos Neto e Esteves após Paulo Sérgio Souza mencionar os três em seu depoimento. O ex-diretor negou ter recebido propina de Vorcaro e relatou conversas internas sobre a situação financeira do Banco Master e uma possível venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Paulo Sérgio afirmou que comunicou a Ailton de Aquino sobre a necessidade de enviar ao Ministério Público Federal uma notícia de crime relacionada à negociação com o BRB. Segundo ele, o documento já estava pronto e Galípolo resistiu a encaminhar a comunicação.
O servidor relatou duas reuniões com Galípolo. Na primeira, no fim de fevereiro ou no início de março, afirmou ter alertado que o Master deixara de recolher compulsório e que seria preciso liquidar o banco ou encontrar uma solução de mercado com o BTG Pactual. Paulo Sérgio disse que Galípolo pediu “um voto de confiança” para a solução envolvendo o BRB.
Na segunda reunião, no fim de junho, Paulo Sérgio afirmou que Galípolo disse que não enviaria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária porque havia recebido internamente a informação de fraude na carteira do banco. O presidente do Banco Central não respondeu aos questionamentos sobre o caso.
O ex-diretor também citou uma reunião em dezembro de 2024 entre o Banco Central e o BTG Pactual, da qual Roberto Campos Neto teria participado. Paulo Sérgio afirmou que Ailton lhe disse que o BTG detectara uma suposta fraude de R$ 32 bilhões após uma diligência no Master, mas que o banco não apresentou documentos no encontro.
A defesa de Campos Neto declarou que ele ainda não recebeu intimação e criticou o vazamento da informação. “Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor”, afirmaram os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti. O BTG Pactual informou que não comentaria.