Como Lula poderia conter crise no STF, segundo ministro

O presidente do STF, Edson Fachin, e o presidente Lula. Foto: Breno Esaki/Metrópoles

Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvido sob reserva pela revista Veja, avalia que o presidente Lula (PT) poderia atuar para conter a crise aberta entre integrantes da Corte. Na visão do magistrado, uma mudança na cúpula da Polícia Federal serviria para acomodar as disputas internas.

A alternativa discutida por esse ministro seria Lula “segurar” a atuação do grupo formado por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes e, simultaneamente, “compensar” a ala composta por André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. A direção-geral da PF aparece como ponto central nessa avaliação.

A disputa ganhou novo capítulo quando Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Dino reverteu a medida nesta quarta (9) e a decisão aumentou a exposição pública do embate entre ministros.

O STF enfrenta uma crise com pedidos cruzados de investigação entre Mendonça e Moraes. Os dois ministros questionam as condutas um do outro em procedimentos que envolvem a atuação judicial e a apuração conduzida pela Polícia Federal.

André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Relatório da PF levou Mendonça a pedir apuração contra Moraes

O conflito teve início após a divulgação de um relatório da PF, solicitado por Mendonça, sobre mensagens trocadas e encontros de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro está preso preventivamente por suspeitas de fraudes no Banco Master.

Com base nos achados da Polícia Federal, Mendonça pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado na apuração, contestou a validade da iniciativa.

Gonet afirmou que a apuração seria nula porque o plenário do Supremo não foi consultado antes da investigação, como prevê a regra invocada por ele. A manifestação da Procuradoria-Geral da República elevou a tensão institucional em torno do caso.

Moraes também pediu a abertura de inquérito contra Mendonça no inquérito das fake news e citou “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade”, além de quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. O ministro ouvido sob reserva avalia que a escalada do conflito prejudica a campanha eleitoral de Lula.

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