
As bets já alcançaram 27,3% dos estudantes do ensino médio no Brasil, apesar de a legislação proibir jogos de azar para menores de 18 anos. A pesquisa da Frente Parlamentar Mista de Educação e do site Equidade.info também identificou que o contato com apostas esportivas começa, em geral, aos 11 anos.
O levantamento entrevistou 1.912 alunos de 191 escolas de educação básica em todo o país. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, 16,2% dos alunos disseram que já fizeram apostas. Entre estudantes de 11 anos, o índice ficou em 9,5%; aos 17 anos, chegou a 32,3%; e alcançou 40,1% entre aqueles com 18 anos ou mais.
Os meninos registraram proporções maiores do que as meninas: 19% contra 13% no ensino fundamental e 41% contra 12% no ensino médio. A incidência de apostas se manteve praticamente igual entre redes pública e privada, embora os resultados financeiros relatados tenham variado.

ECA Digital exige verificação de idade nas plataformas
Nas escolas públicas, 7,4% dos estudantes disseram ter ganhado mais do que perderam nas plataformas. Nas particulares, 9,5% relataram ter perdido mais do que ganharam. Quatro em cada dez alunos que já apostaram não souberam dizer se obtiveram mais ganhos ou perdas.
O estudo apontou que a presença de educação financeira no currículo não reduziu a exposição dos alunos às bets. A pesquisa também classificou como mais vulneráveis os estudantes de domicílios com mais bens, matriculados na rede pública e com pais sem ensino superior.
A exposição de crianças e adolescentes a casas de apostas contraria o ECA Digital, que entrou em vigor em março. A norma obriga plataformas a adotarem mecanismos confiáveis para verificar a idade de usuários que acessam produtos e serviços vedados a menores, como bets, bebidas alcoólicas, cigarros e conteúdo pornográfico.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da Frente Parlamentar Mista de Educação, afirmou que a prática pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento dos jovens. O pesquisador Guilherme Lichand, da Universidade Stanford, questionou como crianças e adolescentes encontram as plataformas e conseguem contornar as restrições etárias exigidas pelos sites.