
O presidente Lula (PT) defendeu nesta quarta (9) a quebra completa do sigilo das investigações sobre o caso Master e cobrou explicações sobre “o maior crime financeiro da história do Brasil”. Em publicação no X, ele disse que a medida deve alcançar todos os envolvidos, sem exceção.
“O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente. O caso apura um esquema que inflou artificialmente o valor do extinto Banco Master por meio de ativos e carteiras de crédito sem lastro real.
A Polícia Federal apontou que a estrutura permitia ao banco apresentar uma solidez financeira artificial, captar bilhões de reais de investidores e realizar operações sem garantias compatíveis. As apurações envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro.
Lula também afirmou que há uma “crise institucional” no Poder Judiciário e criticou os “vazamentos seletivos” de informações. Para o presidente, a divulgação direcionada de dados das investigações interfere na disputa eleitoral, na qual ele busca o quarto mandato.
Na mesma mensagem, Lula citou a divulgação de informações da Operação Spoofing como referência de transparência. A investigação da Polícia Federal analisou mensagens obtidas pelos invasores alimentaram questionamentos sobre a condução da Operação Lava Jato.
“A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido”, prosseguiu. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, completou.
Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário.
Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que…
— Lula (@LulaOficial) September 9, 2026
Conflito no STF atingiu a direção da Polícia Federal
A disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) escalou depois de o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso Master, levantar questionamentos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Moraes determinou a abertura de apurações sobre a atuação de Mendonça no caso.
Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, além de suspender relatórios de inteligência produzidos pela corporação. A Advocacia-Geral da União recorreu ao STF e argumentou que a medida invadia prerrogativas do presidente da República.
O ministro Flávio Dino derrubou a decisão nesta quarta (9) e mandou reconduzir Rodrigues e Almada aos cargos. Dino avaliou que o afastamento prejudicaria investigações em andamento e não poderia ocorrer da forma determinada por Mendonça.