“Todo macumbeiro é um derrotado”: Marçal é denunciado por racismo religioso

Pablo Marçal
Pablo Marçal. Foto: Reprodução

O empresário Pablo Marçal (PRTB) virou alvo de uma representação no Ministério Público Eleitoral por declarações contra religiões de matriz africana durante entrevista ao canal “BNTV”. O pedido aponta possíveis crimes de racismo religioso e discurso de ódio, além de eventual propaganda eleitoral vedada.

Na entrevista, Marçal afirmou que “todo macumbeiro é um derrotado, tem um perfil, é gente invejosa, que não prospera”. Ele também comparou práticas religiosas africanas e brasileiras em termos ofensivos.

O empresário disse que a macumba na África “faz a gente levitar, enquanto a daqui fica só à pinga da esquina, sujando via pública”. Em seguida, declarou: “Se macumba funcionasse, a Bahia seria Dubai”.

Ivanir dos Santos, candidato a deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, pediu a abertura de procedimento para investigar as falas. A representação sustenta que o conteúdo ultrapassa os limites da liberdade de expressão religiosa.

Representação cita alcance de vídeo e possível abuso dos meios de comunicação

O documento apresentado ao Ministério Público Eleitoral afirma que as declarações podem configurar discriminação, racismo religioso, discurso de ódio e propaganda eleitoral irregular. O pedido também solicita análise sobre possível abuso de poder ou uso indevido dos meios de comunicação.

A peça argumenta que os ataques não se dirigem apenas a uma crença específica, mas atingem uma coletividade de praticantes de religiões de matriz africana historicamente submetida à estigmatização e à violência.

Os autores da representação destacaram que o vídeo com as falas ultrapassou 350 mil visualizações no YouTube. Para eles, o alcance amplia a circulação de preconceitos contra segmentos religiosos.

O Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) também protocolou uma notícia de fato na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro, que poderá apurar possíveis delitos ligados às declarações.

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