
O empresário Pablo Marçal (PRTB) virou alvo de uma representação no Ministério Público Eleitoral por declarações contra religiões de matriz africana durante entrevista ao canal “BNTV”. O pedido aponta possíveis crimes de racismo religioso e discurso de ódio, além de eventual propaganda eleitoral vedada.
Na entrevista, Marçal afirmou que “todo macumbeiro é um derrotado, tem um perfil, é gente invejosa, que não prospera”. Ele também comparou práticas religiosas africanas e brasileiras em termos ofensivos.
O empresário disse que a macumba na África “faz a gente levitar, enquanto a daqui fica só à pinga da esquina, sujando via pública”. Em seguida, declarou: “Se macumba funcionasse, a Bahia seria Dubai”.
Ivanir dos Santos, candidato a deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, pediu a abertura de procedimento para investigar as falas. A representação sustenta que o conteúdo ultrapassa os limites da liberdade de expressão religiosa.
🚨 VIRALIZA NA WEB: Pablo Marçal comete intolerância religiosa e se refere a macumbeiro como povo derrotado na vida. pic.twitter.com/zzvYLUxuf4
— Orisas Encantados ✨ (@OrixaEncantado) September 4, 2026
Representação cita alcance de vídeo e possível abuso dos meios de comunicação
O documento apresentado ao Ministério Público Eleitoral afirma que as declarações podem configurar discriminação, racismo religioso, discurso de ódio e propaganda eleitoral irregular. O pedido também solicita análise sobre possível abuso de poder ou uso indevido dos meios de comunicação.
A peça argumenta que os ataques não se dirigem apenas a uma crença específica, mas atingem uma coletividade de praticantes de religiões de matriz africana historicamente submetida à estigmatização e à violência.
Os autores da representação destacaram que o vídeo com as falas ultrapassou 350 mil visualizações no YouTube. Para eles, o alcance amplia a circulação de preconceitos contra segmentos religiosos.
O Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) também protocolou uma notícia de fato na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro, que poderá apurar possíveis delitos ligados às declarações.