7 de Setembro: Lula reúne 70 mil e Flávio amarga queda de público

O desfile cívico-militar liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília reuniu 70 mil pessoas nesta segunda-feira (7), segundo estimativa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). Já o ato bolsonarista na Avenida Paulista, em São Paulo, convocado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), reuniu 28,5 participantes no horário de maior concentração — o menor público da direita na avenida desde 2022.

A diferença expôs o contraste entre a cerimônia institucional do governo e a dificuldade da direita bolsonarista de repetir mobilizações de massa, mesmo a menos de um mês do primeiro turno das eleições.

Na Paulista, a série histórica revela o recuo. Em 2022, foram estimadas 32,7 mil pessoas. Em 2024, o público chegou a 45,4 mil e caiu para 42,2 mil em 2025. Neste ano, despencou para 28,5 mil — redução de 32,5% em relação ao último 7 de Setembro e resultado inferior ao de quatro anos atrás. Em 2023, não houve manifestação oficial do grupo na avenida.

Discurso contra o STF

Durante o comício, Flávio Bolsonaro concentrou sua fala em críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. Ao separar o ministro da instituição, afirmou: “Uma laranja podre não pode contaminar toda a corte. O STF não é Alexandre de Moraes.”

O palanque também contou com discursos de Silas Malafaia, Tarcísio de Freitas, Alfredo Gaspar e Gustavo Gayer. Apesar das referências ao STF, a manifestação não mencionou o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, os áudios de Flávio com o ex-banqueiro nem os diálogos de Nikolas Ferreira com o empresário.

Um boneco inflável de Donald Trump, colocado nas proximidades do Masp, foi retirado às 15h45. O PL não explicou o motivo.

Lula leva soberania ao 7 de Setembro

Em Brasília, Lula participou do tradicional desfile cívico-militar ao lado dos presidentes do STF, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.

A celebração teve como um de seus principais temas a soberania nacional, eixo que ganhou peso no debate político brasileiro diante das pressões externas e das disputas envolvendo a extrema direita. O enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027 também estiveram entre os temas do evento.

Segundo a Secom, as 70 mil pessoas representam crescimento de 56% sobre as 45 mil informadas em 2025. A metodologia utilizada pelo governo para chegar à estimativa não foi divulgada, e registros fotográficos dos dois anos indicam ocupação semelhante das áreas destinadas ao público.

Outros atos

A dificuldade de mobilização não ficou restrita a Flávio Bolsonaro. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) participaram de agendas em São Paulo com público reduzido.

No Rio de Janeiro, uma caminhada de Augusto Cury (Avante), em Copacabana, reuniu cerca de 1,4 mil pessoas no horário de pico.

A estimativa de 28,5 mil participantes no ato de Flávio Bolsonaro foi produzida pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a More in Common. A medição utiliza imagens aéreas captadas por drones e processadas por inteligência artificial. Com margem de erro de 12%, o público foi calculado entre 25,1 mil e 32 mil pessoas.

O resultado reforça um sinal que vem se tornando recorrente nas ruas: apesar de manter forte presença nas redes e de disputar a eleição presidencial, o bolsonarismo enfrenta dificuldades crescentes para converter sua base política em grandes mobilizações presenciais.

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com agências

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