
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, chamou ministros da Corte para conversas nos próximos dias sobre a crise que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ainda não há definição sobre uma reunião com todos os integrantes ou encontros individuais.
Ministros que conversaram com Fachin relatam que ele pretende tomar uma decisão sobre a situação de Moraes, mas recebeu o alerta de que qualquer medida precisará de consenso no tribunal. A avaliação entre os magistrados é que uma iniciativa sem apoio interno pode aprofundar o conflito.
Se surgir uma proposta para que Moraes se afaste enquanto o caso estiver sob análise, aliados do ministro devem defender tratamento equivalente a Mendonça. Moraes acusa o relator do caso Master de parcialidade e de conduzir a investigação para atingi-lo de forma ilegal.
A possibilidade de Fachin convocar uma sessão presencial do plenário preocupa ministros. “Se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”, disse um integrante da Corte, em referência à tensão entre Moraes e Mendonça e à chance de confronto público entre os dois.

Tensão entre Moraes e Mendonça aumenta cautela no STF
Moraes e Mendonça ocupam cadeiras lado a lado no plenário, por causa da ordem de antiguidade no Supremo. Eles já tiveram um embate que quase chegou às vias de fato, o que torna uma discussão presencial ainda mais delicada.
Uma alternativa em discussão é levar eventual análise ao plenário virtual. Nesse modelo, os ministros apresentam votos eletronicamente, sem a necessidade de uma sessão presencial com os integrantes da Corte.
As manifestações de 7 de Setembro entraram nas conversas como um possível fator de pressão, caso reunissem público expressivo sem identificação partidária. A avaliação no Supremo, porém, é que a direita assumiu o discurso contra a Corte, reduzindo o impacto de uma insatisfação mais ampla no eleitorado.
A crise se agravou depois que Mendonça determinou à Polícia Federal a identificação do interlocutor de Daniel Vorcaro em mensagens encontradas no celular do banqueiro.
A PF apontou Moraes como o destinatário dos diálogos, nos quais Vorcaro pede “proteção” ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. As respostas de Moraes não constam no relatório porque teriam sido enviadas no modo de visualização única.