Faraó dos Bitcoins diz que carteira sob guarda da PF pode pagar credores da G.A.S.

Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins – Foto: Reprodução

Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, afirmou à Justiça que a carteira fria de criptomoedas guardada em um cofre da Polícia Federal contém recursos suficientes para pagar os credores da G.A.S. Consultoria e Tecnologia. O dispositivo concentra chaves digitais para ativos que, segundo ele, permanecem disponíveis apesar da interrupção das atividades da empresa após a Operação Kryptos, em 2021. Com informações de G1.

Questionado por uma juíza sobre a existência de uma quantia vultosa na carteira, Glaidson respondeu: “Existe”. Ao ser perguntado se o valor daria para pagar todos os credores, declarou: “Dá. Dá. Dá.” Ele disse ainda que os recursos continuam no dispositivo: “Tá lá. Tá tudo lá.”

A massa falida da G.A.S. reúne mais de 77 mil empresas e pessoas físicas na lista de credores, enquanto a dívida se aproxima de R$ 3 bilhões. A empresa atraiu clientes com a promessa de rendimento mensal de 10% em investimentos com criptomoedas.

Em seu depoimento, Glaidson assumiu que era “idealizador da empresa, fundador da empresa, presidente da empresa, gestor da empresa, responsável da empresa”. A Polícia Federal atribui à rede de investimentos uma movimentação superior a R$ 38,2 bilhões, e ele responde por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro.

Glaidson e sua mulher e sócia, Mirelis Diaz Zerpa – Foto: Reprodução

MPF pede condenação de Glaidson, Mirelis e mais 15 acusados

Nas alegações finais, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Glaidson, de sua mulher e sócia, Mirelis Diaz Zerpa, e de outras 15 pessoas acusadas de integrar o grupo. As penas podem ultrapassar 37 anos de prisão caso a Justiça acolha os pedidos da acusação.

Mirelis negou que participasse da administração da G.A.S. e afirmou que trabalhava com negociação de criptomoedas. O MPF sustenta que ela integrava o comando do esquema e apontou a transferência de 4,5 mil bitcoins de uma conta ligada à empresa após a prisão de Glaidson, em agosto de 2021; à época, os ativos valiam mais de R$ 1,06 bilhão.

A defesa de Glaidson afirma que ele é inocente e sustenta que as atividades da G.A.S. não configuravam crime contra o sistema financeiro. Os advogados também alegam que os pagamentos aos clientes pararam por cumprimento de ordem judicial e contestam a lista de credores. A defesa de Mirelis declarou que ela não integrava a estrutura administrativa e que os bitcoins movimentados após a prisão serviram para devolver valores a clientes.

Glaidson segue preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, enquanto Mirelis está em prisão preventiva no Rio de Janeiro. Ele também responde a processos por homicídio e tentativa de homicídio contra concorrentes da G.A.S.; os casos devem seguir para júri popular. Sobre a senha da carteira fria, Glaidson disse que não a recordava de cabeça, mas reiterou que os ativos estão guardados no dispositivo sob custódia da PF.

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