
O empresário venezuelano Alejandro Betancourt, citado em e-mails dos arquivos de Jeffrey Epstein, ficará à frente da exploração de 17 campos de petróleo na Venezuela por meio da North American Blue Energy Partners (Nabep). Os governos dos Estados Unidos, de Donald Trump, e da Venezuela, comandada interinamente por Delcy Rodríguez, anunciaram o acordo na última sexta-feira (28).
A Nabep recebeu concessões de 100 anos para operar os campos, cujas reservas somam cerca de 65 bilhões de barris, segundo a Casa Branca. O governo americano classificou a companhia como uma “operadora comprovada” e a segunda maior produtora privada de petróleo venezuelano.
Betancourt ampliou seu patrimônio durante os governos de Hugo Chávez e já enfrentou acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. O nome dele aparece em mensagens trocadas em 2012 entre Epstein e o empresário venezuelano Francisco D’Agostino.
Em uma mensagem encaminhada a Epstein em setembro daquele ano, D’Agostino escreveu: “Alejandro Betancourt, meu parceiro de negócios, e eu estamos disponíveis para te encontrar na segunda-feira (19/11/2012). Podemos ter um almoço? Sua casa?”

E-mails tratavam de possível encontro de Epstein com empresários venezuelanos
Em outubro de 2012, D’Agostino sugeriu que Epstein conhecesse Betancourt, então ligado à Derwick e Associados. “Ele é muito interessante porque só tem 34 anos e tem mais de $3 bilhões em contratos com o governo venezuelano. Uma criança muito, muito interessante”, disse no e-mail.
O empresário também listou banqueiros, empresários e políticos venezuelanos que pretendia apresentar a Epstein, entre eles o general Alejandro Andrade, então chefe do Tesouro do país. Epstein respondeu pedindo uma ideia de roteiro para “uma noite e dois dias para Caracas”; não há informação pública de que ele tenha viajado à Venezuela.
Outro e-mail, de dezembro de 2012, traz Betancourt em cópia e um anexo chamado “Memo oil Venezuela”. Na mensagem dirigida a “Mr. Abdulhak”, D’Agostino escreveu: “Jeff, obrigado pela introdução. Em anexo uma breve descrição da oportunidade de investimento que gostaria de discutir contigo”.
Pelo acordo anunciado agora, a Nabep cederá ao Departamento de Guerra dos Estados Unidos participação de 35% em sua controladora. O Departamento de Estado poderá comprar 20% da produção dos campos operados pela empresa a preço de custo e terá preferência para adquirir os 80% restantes.
A Casa Branca informou que a maioria do conselho da Nabep deverá reunir cidadãos americanos e que a companhia investirá US$ 100 bilhões em infraestrutura petrolífera venezuelana. O comunicado também afirma que o acordo seguirá a legislação dos EUA e ficará sob jurisdição de tribunais americanos.
Delcy classificou o entendimento como “histórico” e disse que a Venezuela manterá a “propriedade e soberania” sobre seu petróleo. Ela afirmou que o país escolheu a diplomacia para converter diferenças com Washington em “cooperação, investimentos, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”.
O Parlamento venezuelano aprovou o acordo na terça-feira (1º). O trato avança oito meses após o sequestro de Nicolás Maduro e coloca uma empresa privada dirigida por Betancourt no centro da exploração de parte das reservas venezuelanas.