
Pesquisas de boca de urna apontaram neste domingo (6) uma vitória ampla da AfD, partido de ultradireita, na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. As projeções deram 44,5% dos votos à legenda e 18,5% à CDU, partido do chanceler Friedrich Merz.
A disputa envolveu cerca de 1,7 milhão de eleitores em um estado de 2,1 milhões de habitantes. A participação chegou a 76,5%, recorde local, e o resultado pode colocar a AfD no comando de um governo regional pela primeira vez no período pós-guerra.
O sistema parlamentarista alemão e a cláusula de barreira de 5% podem ampliar o peso da sigla vencedora na divisão das cadeiras do Parlamento estadual. Antes da votação, os cenários indicavam que a AfD precisaria de cerca de 45,5% ou, em algumas combinações, de 42,5% para alcançar maioria.
A AfD afirma que só aceita governar se obtiver maioria absoluta. Partidos tradicionais recusam coalizões com a legenda, que a agência de inteligência interna da Alemanha classifica como extremista de direita na Saxônia-Anhalt.

Nenhum partido situado tão à direita quanto a AfD comandou um estado alemão desde 1945. A legenda cresceu em várias regiões na última década, mas não havia conquistado votos suficientes nem encontrado aliados para chefiar um governo estadual.
Uma maioria própria, ou uma situação em que as negociações para formar governo se tornem inevitáveis, pode enfraquecer o chamado cordão sanitário que mantém a AfD fora de coalizões estaduais. Até agora, a sigla não participou de alianças regionais por causa da recusa de seus adversários.
A eleição também aumenta a pressão sobre Merz, cujo governo enfrenta impopularidade e uma economia estagnada. A CDU governa a Saxônia-Anhalt desde 2002, mas iniciou a disputa atrás nas pesquisas; o chanceler alertou que uma chegada da AfD ao poder poderia afastar investidores.
A Saxônia-Anhalt se tornou um dos principais redutos da AfD em meio a problemas econômicos e demográficos do antigo lado oriental alemão. O estado reúne renda per capita menor que a média nacional, desemprego acima do índice do país e perda de população desde os anos 1990, com a saída de jovens. No sábado (5), o candidato da AfD, Ulrich Siegmund, disse em um ato em Magdeburgo: “O que começamos aqui na Saxônia-Anhalt está se espalhando por toda a Alemanha e não pode mais ser detido”.