
As corporações de mídia não só foram de novo para a boca do palco, como já aparecem com as unhas de fora. Reapresentam-se como protagonistas dos grandes movimentos nas estruturas de poder, principalmente entre as figuras que se movem pela direita.
Nesta sexta-feira, no ‘Estúdio i’ da GloboNews, o saco de pancadas da turma foi o inquérito das fake news, aberto em 2019. Toda a direita, da OAB a Merval Pereira, quer o fim do inquérito, que só tem golpistas sob investigação.
Em determinado momento do programa, apareceu na tela um dos temidos powerpoints da Globo, desta vez com a linha do tempo do inquérito, desde o momento em que Dias Toffoli decidiu instaurá-lo, passando a relatoria ao ministro Alexandre de Moraes.

O comentarista do painel exposto era o jornalista e cientista político Thomas Traumann. O analista passou a citar figuras que estavam na origem das investigações pela acusação de conspirarem contra a democracia e atacar as instituições. Citou Roberto Jefferson, Allan dos Santos e Sara Winter e passou por cima de outro nome que aparecia na tela.
Entre os investigados citados, que sofreram busca e apreensão em 2020, estava Luciano Hang (marcado com o risco vermelho por este blog). Traumann citou as galinhas mortas que apareciam ali, das quais ninguém mais se lembra, mas cruzou por cima do nome do véio da Havan, que também estava no quadro.
Por que Traumann pulou e trocou de assunto, seguindo em frente na linha de tempo? Porque o véio da Havan, que Alexandre de Moraes definiu como alguém fantasiado de periquito verde, é uma ave ainda viva entre os ativistas bolsonaristas.
A Globo não fala dele, e ninguém nos jornalões fala. Mas Traumann poderia falar, para pelo menos repetir o nome que aparecia no telão. Ficou com Sara Winter, que não ameaça mais ninguém.
E aí ressurge a pergunta sobre autorias. Traumann mandou fazer aquela arte, com aquelas informações? Ou um editor fez aquilo, como aquele famoso powerpoint que incluía Lula e a estrela do PT no caso Master, que teria sido obra de alguém sob as ordens de Andréia Sadi?
Um editor da GloboNews fez um quadro com o nome do véio da Havan, Traumann se assustou quando viu aquilo e não leu o nome? Ou o cientista mandou que fizessem daquele jeito e decidiu deixar o nome do empresário ali, solto, sem fazer referência direta a ele?
O que isso revela é que algumas figuras foram blindadas pela grande imprensa, porque estão vivas, ainda impunes e podem escapar das investigações que ainda restam.
Traumann, ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Dilma, e mais a OAB, a Fiesp, os garimpeiros, os milicianos e a Globo querem o fim do inquérito das fakes news.
Querem poupar gente que não deixou rastros suficientes para incriminação ou que foi beneficiada pela preguiça dos investigadores, como aconteceu com os vampiros da pandemia.
Por isso é constrangedor quando nomes que não devem ser citados por jornalistas assustados aparecem nos powerpoints assombrosos da GloboNews, em meio a uma crise que mais uma vez se anuncia como a maior desde a criação do mundo.