
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,7% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nessa sexta-feira (4). Os embarques somaram US$ 24,1 bilhões no período. .
O resultado acumulado melhorou em agosto. Somente no mês, as exportações para o mercado estadunidense cresceram 12,1% e chegaram a US$ 3,19 bilhões. Em julho, o recuo acumulado ainda era de 12,2%, o que mostra que a alta de agosto reduziu parte da perda registrada ao longo do ano.
As novas medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump atingem 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, segundo o MDIC. Desse total, 16,5% da pauta está sujeita simultaneamente a duas sobretaxas e pode enfrentar cobrança adicional de 37,5%. Entre os produtos desse grupo estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

O comércio bilateral também permanece negativo para o Brasil. De janeiro a agosto, as importações de produtos estadunidenses caíram 8,6%, para US$ 27,32 bilhões. O país acumulou déficit de US$ 3,21 bilhões nas trocas com os Estados Unidos, enquanto a corrente de comércio entre os dois mercados recuou 9,1%.
A queda ocorre num período de sucessivas medidas tarifárias de Washington. Em julho, o MDIC calculou que as exportações brasileiras para os Estados Unidos haviam perdido participação nas vendas totais do país, passando de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026. O ministério atribuiu a perda de dinamismo, entre outros fatores, ao ambiente de restrições comerciais.
Brasil e Estados Unidos retomaram no fim de agosto as negociações sobre o tarifaço após conversa entre Lula e Trump. Enquanto as tratativas avançam, as tarifas continuam em vigor e os dados consolidados até agosto mostram que a recuperação registrada no mês ainda não foi suficiente para eliminar a queda das vendas brasileiras ao mercado estadunidense.