
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a abertura de uma apuração sobre suspeita de interferência indevida de André Mendonça na Polícia Federal durante a produção do relatório que expôs mensagens de Daniel Vorcaro com autoridades. Segundo o Estadão, Gonet informou a medida ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em manifestação enviada após ser chamado a prestar esclarecimentos sobre a crise aberta pelo caso Master.
No documento, Gonet afirma que a decisão de Mendonça que determinou à PF a elaboração do relatório não foi comunicada ao Ministério Público. Segundo o procurador-geral, a medida “foi ocultada do Ministério Público”, impedindo a PGR de exercer o controle externo da atividade policial enquanto o material era produzido. A afirmação representa uma acusação de irregularidade na condução do procedimento, ainda sujeita a apuração.
Gonet quer que seja esclarecida a “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na elaboração do documento e se essa atuação teria afetado seu conteúdo. O pedido acrescenta uma nova frente à reação da PGR contra a condução do caso por Mendonça. No início da semana, o procurador-geral já havia sustentado que Mendonça sabia que sua ordem levaria a PF a investigar Moraes e defendido a nulidade do procedimento.

A controvérsia envolve uma determinação para que a PF examinasse mensagens e interações encontradas no material apreendido com Vorcaro. A investigação alcançou referências a Alexandre de Moraes, ao próprio Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Relatórios policiais posteriormente divulgados também questionaram a atuação de Mendonça e apontaram possíveis interferências na condução das apurações, alegações que passaram a integrar a crise interna no Supremo.
O próprio Gonet está no centro de outra frente do caso. O relatório de 218 páginas contém referências a conversas atribuídas a ele e intermediadas pelo advogado Ciro Soares, além de registros envolvendo uma viagem e um encontro com Vorcaro. As revelações provocaram desgaste dentro da cúpula da PGR, enquanto o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para analisar questionamentos sobre a conduta do procurador-geral.
Fachin agora concentra os procedimentos originados do confronto entre integrantes do STF. Nesta sexta-feira (4), o presidente da Corte retirou de Moraes e Mendonça a condução das apurações dirigidas um contra o outro e passou a analisar os pedidos na Presidência do Supremo. O novo requerimento de Gonet adiciona à discussão a suspeita de que a própria produção do relatório policial possa ter sofrido interferência externa, ponto que ainda terá de ser esclarecido antes de qualquer conclusão sobre responsabilidade.