
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria feito circular entre colegas que, se a pressão para abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes se tornar insustentável, também autorizará uma iniciativa contra André Mendonça. A informação é da jornalista Ana Flor, do g1, que definiu a estratégia como um “impeachment cruzado”.
Segundo a apuração, a sinalização ajudou a reduzir a temperatura no Senado nos últimos dias. A mensagem vincula os destinos dos dois ministros: um avanço contra Moraes poderia abrir caminho para que Mendonça também fosse submetido a um processo de afastamento.
A movimentação amplia a articulação de senadores que avaliam apresentar um pedido contra Mendonça. Aliados de Alcolumbre discutiam a possibilidade depois que relatórios da Polícia Federal apontaram um suposto direcionamento de investigações contra o presidente do Senado e Moraes.

A estratégia ganhou força após Moraes pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, providências contra Mendonça. Na manifestação, o ministro apontou, em tese, indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação do colega.
Moraes também afirmou que Mendonça teria direcionado alvos por “motivos pessoais e políticos”. Entre os nomes mencionados estavam o próprio magistrado e Alcolumbre, que mantém um histórico de atritos com Mendonça desde a indicação do ministro ao Supremo, em 2021.
Nesta sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e assumiu os procedimentos que envolvem os dois ministros. O presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República e Mendonça se manifestem em até cinco dias antes da definição dos próximos passos.