Coaf aponta repasses suspeitos de R$ 27,2 milhões do Master ao Metrópoles

O Banco Master efetuou o repasse de R$ 27,2 milhões ao portal de notícias Metrópoles entre 2024 e 2025, revela documentação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As movimentações foram classificadas como suspeitas pelo órgão de fiscalização financeira. As informações e os diálogos que expõem as conexões entre o comando do banco e a direção do veículo foram revelados pelo Diário do Centro do Mundo (DCM).

Conforme o relatório do Coaf, o portal de notícias, controlado pelo ex-senador Luiz Estevão, realizou o “débito imediato” dos montantes assim que recebia as transferências do Master, redirecionando o dinheiro para outras companhias vinculadas à família do ex-parlamentar.

Questionado sobre os repasses em conversa gravada com o jornal O Estado de S. Paulo, Luiz Estevão declarou que a verba referia-se a contratos comerciais legítimos: o patrocínio do Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025 pelo Metrópoles e a aquisição dos naming rights da competição.

Reunião antes de tentativa de fuga

Registros obtidos pelo DCM mostram ainda que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, esteve presencialmente com a CEO do Metrópoles, a jornalista Lilian Tahan, na tarde de 17 de novembro de 2025. O encontro ocorreu poucas horas antes de o empresário ser detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A troca de mensagens ocorreu entre 14h53 e 15h29. Às 14h53, Vorcaro perguntou: “Vem ainda?”. Quinze segundos depois, Lilian respondeu: “Chegando!! Tive que dar a volta aqui no quarteirão!“. Às 15h03, a executiva confirmou a chegada com a mensagem “estou aqui!!“.

Minutos depois, às 15h29, a jornalista enviou a Vorcaro o link de uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo referente a tratativas entre o fundo soberano Mubadala Capital, de Abu Dhabi, e o Will Bank. A matéria informava que a venda da instituição digital visava estancar a crise financeira do Master, que em maio daquele ano havia recorrido a mais de R$ 4 bilhões em socorro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Investigadores apontam que Vorcaro se preparava para deixar o país em um jato executivo rumo a Malta, na Europa, no momento de sua prisão. A defesa do banqueiro negou a intenção de fuga durante audiência de custódia, alegando que o cliente viajava a Dubai para negociar com o grupo Fictor.

Venda frustrada e liquidação pelo Banco Central

Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante acareação em 30 de dezembro, Vorcaro defendeu que a transação para transferir o Will Bank ao fundo Mubadala estava acertada e seria assinada em 18 de novembro de 2025, mesma data em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Nessa semana específica [da operação] estava concluído. Faltava assinaturas. A primeira assinatura aconteceu na segunda-feira, que foi a da Fictor. No dia seguinte, iria acontecer a venda do Will Bank para o fundo Mubadala“, afirmou o empresário em seu depoimento ao STF.

A transação informada não chegou a ser concretizada. Em 21 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do próprio Will Bank, que possuía cerca de 12 milhões de clientes e carteira atrelada a cartões de crédito e financiamentos. No exercício anterior, a fintech havia movimentado cerca de R$ 7,5 bilhões.

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