André Mendonça deixa Instituto Iter após escândalos em contratos públicos

André Mendonça sentado em sessão do Supremo Tribunal Federal
André Mendonça sentado em uma cadeira de couro durante sessão do STF, com terno escuro e gravata cinza. Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, que fundou há dois anos para oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento profissional. A instituição passará a atuar como entidade sem fins lucrativos.

Mendonça cederá a totalidade de suas cotas aos demais sócios, sob a condição de que eventuais valores relacionados à participação permaneçam integralmente destinados a iniciativas sociais e educacionais. O ministro disse a interlocutores que tomou a decisão para “evitar ruídos”.

O instituto virou alvo de questionamentos após a divulgação de que obteve R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025, um ano depois de iniciar as atividades. Nesta quinta-feira (03), a revista Fórum publicou que o faturamento teria ultrapassado R$ 10 milhões.

Opositores de Mendonça apontam possível conflito de interesses e favorecimento em contratos públicos sem licitação. O ministro contesta os números e afirma que nunca obteve lucro com a instituição, que teria registrado prejuízo no primeiro ano e resultado positivo de cerca de R$ 200 mil no ano passado. A assessoria do Iter diz que a empresa nunca distribuiu lucros.

André Mendonça, ministro do STF, no Instituto Iter. Foto: reprodução

Contratos, cursos e autorização do Ministério da Educação

O Instituto Iter mantém contratos com governos, prefeituras e empresas privadas. A instituição comercializa cursos de Mendonça e concentra suas atividades em conteúdos jurídicos e formação profissional.

Em um vídeo publicado nas redes sociais no ano passado, Mendonça afirmou que destinaria 10% dos eventuais lucros de sua família no instituto ao dízimo e aplicaria os outros 90% em educação e obras sociais. “Tudo o que vier, possivelmente, a dar de lucro e resultado, eu vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação”, disse.

Em janeiro, o Ministério da Educação do governo Lula (PT) autorizou o Instituto Iter a oferecer curso de pós-graduação lato sensu, modalidade correspondente à especialização. A decisão permitiu que a instituição ampliasse sua atuação no ensino jurídico.

A rapidez da autorização surpreendeu profissionais do setor, integrantes do Ministério da Educação e conselheiros e ex-conselheiros de educação. Centenas de pedidos semelhantes aguardavam análise quando o órgão concedeu a permissão ao instituto.

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