Parecer sobre a escala 6×1 é aprovado na CCJ, mas ainda depende do plenário do Senado

Reunião sobre o fim da escala 6×1 na CCJ nesta quarta (2). Foto: Mateus Bonomi/Folhapress

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2), em votação simbólica, a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O colegiado acolheu o parecer favorável do senador Omar Aziz (PSD), que manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram votos contrários. Aziz rejeitou as alterações apresentadas na comissão, inclusive a tentativa de manter o limite de 44 horas semanais defendida por integrantes do PL.

A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, preserva o limite de oito horas diárias e garante dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Preferencialmente, um dos dias de descanso deverá ser o domingo.

O texto prevê uma transição: dois meses após a promulgação, a jornada cairá para 42 horas; um ano depois, passará para 40 horas. A regra não alcançará trabalhadores com ensino superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do INSS, equivalente a um salário mensal superior a R$ 21.188.

Ato na Avenida Paulista pelo fim da escala. Foto: Bruno Santos/Folhapress

PEC aguarda votação em dois turnos no plenário

A proposta ainda precisa passar por dois turnos no plenário do Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não marcou a votação. Se os senadores aprovarem o parecer de Aziz sem mudanças, o Congresso poderá promulgar a PEC sem uma nova análise da Câmara.

Durante a sessão, o líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), anunciou que apresentará uma PEC paralela para tratar da transição gradual, negociação coletiva, banco de horas, trabalho parcial, turnos e desoneração da folha. Após o anúncio, Rogério Marinho retirou dois destaques que obrigariam a CCJ a votar trechos separadamente.

Marinho, líder da oposição, criticou Alcolumbre por não anexar à discussão uma proposta de sua autoria baseada na negociação entre empregadores e trabalhadores e no pagamento por hora. O senador também atribuiu motivação eleitoral à iniciativa: “O governo está preocupado com esse projeto agora apenas por um motivo. Ele quer se reconectar com a sociedade, porque o desgaste está grande e vai perder as eleições”.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a PEC avançou devido ao apoio popular e cobrou uma posição dos candidatos sobre o tema. “Quem é a favor do fim da jornada 6×1, candidatos, que o digam. Quem é contra o fim da jornada 6×1, que assuma”, disse a senadora. Antes da aprovação, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), limitou a uma hora o pedido de vista coletiva apresentado pela oposição.

Artigo Anterior

Anvisa autoriza estudo clínico de vacina de mRNA contra Covid desenvolvida pela Fiocruz

Próximo Artigo

Adilson Araújo comemora aprovação de relatório pelo fim da escala 6×1 na CCJ do Senado

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!