
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram uma discussão descrita por interlocutores como “direta, dura e ríspida” na segunda (31), após a Polícia Federal localizar mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas a Moraes. Pessoas próximas aos dois negaram que o desentendimento tenha chegado às vias de fato, segundo o blog de Matheus Teixeira na CNN Brasil.
A reunião durou cerca de 15 minutos e ocorreu apenas entre os dois ministros. Moraes perguntou se Mendonça havia aberto alguma investigação contra ele, e o relator do caso Master respondeu que não.
Moraes também questionou Mendonça sobre um pedido de esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida envolve uma mensagem na qual Vorcaro afirma que precisava de proteção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A corporação atribui o envio da mensagem a Moraes.
A conversa ocorreu antes do envio formal do pedido de explicações à PGR. Mendonça já havia avisado Moraes e o presidente do STF, Edson Fachin, de que daria encaminhamento ao relatório produzido pela Polícia Federal.

Relatório da PF reúne mensagens de Daniel Vorcaro
O relatório tem 218 páginas e reúne textos extraídos do celular de Vorcaro. A PF afirma que o ex-banqueiro procurou ajuda para “bloquear” as investigações contra o Banco Master e tentar impedir tanto a liquidação extrajudicial da instituição quanto sua prisão.
Os dados obtidos no aparelho também indicam que Vorcaro teria se reunido presencialmente com Moraes ao menos seis vezes. As referências ao ministro integram o conjunto de informações encaminhado ao Supremo pela corporação.
O STF autuou o documento na sexta-feira (28) e o enviou diretamente ao gabinete de Mendonça, relator do tema na Corte. Depois de receber o relatório, o ministro conversou separadamente com Fachin e Moraes sobre o conteúdo e os próximos procedimentos.
Mendonça afirmou em decisão que o caso deve chegar ao plenário do STF, independentemente da manifestação da PGR. “Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu, ao defender um julgamento de forma “pública e transparente, em sessão presencial”.