Alexandre de Moraes não recebeu pagamentos de Vorcaro, aponta PF

Alexandre de Moraes, ministro do STF
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

Um relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro não identificou mensagens que tratem de pagamentos, transferências ou vantagens financeiras destinadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). André Mendonça retirou o sigilo do documento nesta terça-feira (1º).

Segundo o Poder Paraná, a perícia analisou comunicações do ex-controlador do Banco Master com diversos interlocutores. As conversas que citam valores, cobranças e ordens de transferência envolvem principalmente Vorcaro, funcionários do banco e intermediários, sem pedido de dinheiro atribuído a Moraes.

O exame também não encontrou conversa em que Vorcaro ofereça ou discuta alguma vantagem financeira com o ministro. Nos contatos diretos entre os dois, parte das mensagens foi apagada e outras foram enviadas como imagens de visualização única, conteúdo que a perícia não conseguiu recuperar.

O documento registra negociações financeiras entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A PF anotou a existência do contrato e seus valores, mas não apontou crime ou impedimento legal na contratação.

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

Contrato com escritório da esposa de Moraes

A documentação analisada prevê honorários de R$ 3 milhões por mês durante 36 meses, totalizando R$ 108 milhões. Nos metadados da minuta contratual, a última alteração do arquivo de Word aparece associada ao usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

O relatório relaciona temporalmente a edição da minuta a mensagens entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Nas conversas, Faria confirma encontros e jantares com o empresário e menciona reuniões envolvendo “o Careca”, apelido usado para se referir a Moraes.

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados já declarou que Alexandre de Moraes participou da análise do contrato por questões de compliance e para verificar eventuais impedimentos legais. O relatório pericial não apresenta conclusão sobre irregularidade nessa participação.

A PF informou que não realizou diligências para aprofundar eventual responsabilização criminal de ministros do STF, diante das regras de foro por prerrogativa de função e das competências para investigar integrantes da Corte. O trabalho se concentrou na extração, organização e análise dos dados do aparelho de Vorcaro.

Mendonça determinou que a corporação identificasse interlocutores de Vorcaro e possíveis integrantes de uma rede de influência mencionada na investigação. Entre os registros há pedidos do empresário a Moraes por ajuda ou intervenção junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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