MP Eleitoral arquiva apuração, mas questiona versão da PM no caso Haddad

Fernando Haddad
Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O Ministério Público Eleitoral arquivou o procedimento que apurava uma possível abordagem irregular da Polícia Militar ao motorista da campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, mas rejeitou a hipótese de que os contatos sucessivos de viaturas com o veículo tenham ocorrido por “mera coincidência”. A apuração não encontrou elementos para atribuir ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, eventual ilícito eleitoral.

A Procuradoria Regional Eleitoral afirmou que os elementos reunidos “afastam por completo a verossimilhança de uma ‘mera coincidência’ no patrulhamento ordinário”. Para o procurador eleitoral, é “inverossímil” que, em um intervalo de 44 minutos e numa área geográfica restrita, duas equipes da Força Tática de batalhões diferentes tenham mantido contatos sucessivos com o mesmo carro.

O arquivamento não encerra a apuração criminal sobre o episódio de 11 de agosto. A Polícia Civil mantém um inquérito no 96º Distrito Policial, na área da 2ª Seccional, e a Procuradoria encaminhou cópia integral do procedimento ao Ministério Público de São Paulo para avaliação de eventuais providências na esfera criminal. O MP Eleitoral havia cobrado anteriormente explicações do governo paulista sobre a atuação das viaturas.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (31), Haddad afirmou que não acusou ninguém desde o início do episódio. “Eu, desde o começo desse episódio, não acusei ninguém, pressupus boa-fé, disse para todo mundo que só queria o esclarecimento do que aconteceu. (…) O procurador eleitoral disse que a versão apresentada foi inverossímil”, declarou.

Segundo o relato apresentado à Procuradoria, uma viatura lançou luz sobre o carro em que Haddad chegava em casa. Depois que o petista desembarcou, o motorista Alessandro Caseri percebeu outra viatura enquanto trafegava pela Avenida 23 de Maio e decidiu parar em um hotel onde já havia prestado serviços de transporte, por considerar o local mais seguro por causa das câmeras. Caseri reafirmou posteriormente à Polícia Civil que houve abordagem.

A Polícia Militar sustentou inicialmente que uma das viaturas apenas cruzou com o Ford Fusion dirigido por Alessandro, sem abordá-lo. Os próprios dados fornecidos pela corporação, porém, registraram contatos de diferentes equipes da Força Tática com o automóvel. Segundo esses registros, a viatura M-03010, do 3º BPM/M, abordou Haddad e o motorista na Rua Afonso Mariano Fagundes; às 22h24, a M-12070, do 12º BPM/M, cruzou com o Ford Fusion; e, às 22h38, a M-12090 entrou na Rua Joinville, 12 minutos depois de o carro deixar o local.

A campanha de Haddad também apresentou novas imagens de segurança e um laudo elaborado por um perito particular à Polícia Civil. Segundo a equipe, uma viatura permaneceu por mais de 20 minutos em frente ao hotel onde Alessandro havia parado, e as imagens indicariam que um policial saiu do veículo com uma lanterna enquanto o motorista ainda estava no local. A defesa pediu novas diligências. Os representantes podem recorrer do arquivamento eleitoral em até dez dias, enquanto o inquérito policial e a análise do Ministério Público de São Paulo continuam.

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