“Presente para os EUA”: por que acordo petrolífero gera desconfiança na Venezuela

Delcy Rodríguez discursa em frente ao Palácio de Miraflores, em Caracas
Delcy Rodríguez discursa em frente ao Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas. Foto: Reprodução

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (29) que o país mantém o controle sobre seu petróleo, após Donald Trump anunciar um entendimento que daria aos Estados Unidos acesso a reservas venezuelanas equivalentes a 65 bilhões de barris. A disputa sobre quem controla o recurso alimenta a desconfiança da população diante da aproximação entre Caracas e Washington. Com informações de g1.

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Rodríguez declarou: “Uma coisa deve ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos”. A fala respondeu ao anúncio de Trump, feito na sexta-feira (28), de que os EUA teriam controle sobre um volume correspondente a cerca de 21% das reservas do país.

A Venezuela concentra as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, e produz aproximadamente 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia. O tamanho desses recursos coloca o acordo no centro das pressões econômicas e políticas sobre o governo interino.

Trump afirmou no domingo (30) que pretende usar petróleo venezuelano para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. “O processo de reposição começará muito em breve e é um presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos”, escreveu o presidente americano.

Delcy Rodríguez e Donald Trump. Foto: Reprodução

Desconto do petróleo e retorno menor para Caracas

O petróleo pesado venezuelano, como o tipo Merey, costuma ser vendido abaixo da cotação internacional por exigir processos mais caros de refino. Enquanto o barril de referência Brent gira em torno de US$ 88, o produto venezuelano enfrenta descontos que podem atingir dezenas de dólares.

Nos termos anunciados para o entendimento entre Washington e Caracas, o Estado venezuelano receberia cerca de US$ 19 por barril comercializado. O valor precisa cobrir custos operacionais, investimentos externos e regras de controle previstas no acordo, o que amplia as dúvidas sobre o ganho efetivo do país.

Trump disse que o acerto ocorrerá por meio de parcerias com empresas privadas, mas não detalhou as condições nem as companhias envolvidas. A Casa Branca busca ampliar a oferta para refinarias americanas e reduzir a pressão dos preços da gasolina antes das eleições legislativas de novembro.

Desde que militares dos EUA depuseram Nicolás Maduro em 3 de janeiro e o levaram a Nova York, onde aguarda julgamento, o governo interino de Rodríguez libertou dissidentes políticos e enviou petróleo aos Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio defende uma aproximação com Caracas, enquanto a oposição venezuelana e entidades de direitos humanos cobram avanços nas negociações políticas e eleitorais.

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