Em números: Globo favorece Flávio Bolsonaro. Por Jeferson Miola

Ilustração: Aroeira //

Terminei artigo sobre a entrevista do presidente Lula no Jornal Nacional dizendo que “a Globo se condenou a fazer com Flávio Bolsonaro o mesmo tipo de entrevista inquisitorial e policialesca, com perguntas insistentes durante um longo tempo sobre a ficha criminal do gângster”.

Disse ainda que, “se não fizer isso, que seria o mínimo de isonomia jornalística, a Globo assumirá que a entrevista do Lula terá sido uma poderosa peça de propaganda contra sua reeleição”.

A entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional não deixa dúvidas sobre a escolha da Globo de se perfilar ao lado de Donald Trump, Marco Rubio e Bolsonaros na guerra para impedir a reeleição do Lula.

Os entrevistadores Cézar Tralli e Renata Vasconcellos dispensaram tratamentos distintos ao Lula e a Flávio. Tiveram uma condescendência escandalosa com as omissões, contradições e mentiras deslavadas do gângster-filho.

Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional
Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional. Foto: Reprodução

A diferença de tratamento não ficou restrita à incisividade e vilania das perguntas, mas é comprovada nas estatísticas das duas entrevistas, que confirmam a decisão editorial e institucional da Globo de prejudicar Lula e favorecer Flávio Bolsonaro.

Praticamente metade do tempo da entrevista do Lula, ou seja, 18min 50seg, 47,1% da duração total, foi utilizado para fustigá-lo em relação à corrupção. E com uma abordagem agressiva, inquisitorial e condenatória:

Os jornalistas sacrificaram a abordagem de temas essenciais, como a ameaça estrangeira ao país, terras raras, juros, SUS etc, para fixar a idéia de associação do Lula e do PT com corrupção.

Mas, por outro lado, o arqui-corrupto Flávio, cuja trajetória pessoal e familiar é marcada por ilícitos e corrupção com mandatos parlamentares, foi inquirido sobre corrupção em apenas 31,1% do tempo total da entrevista, durante 11min e 55seg – 7 minutos a menos que Lula. Algo inexplicável em relação a quem é beneficiário da maior fraude financeira do país.

O disparate é enorme também em relação à quantidade de perguntas feitas aos candidatos sobre corrupção. O JN inquiriu Lula o dobro de vezes que questionou Flávio: em 10 das 15 perguntas. A cada três perguntas feitas a Lula, duas foram sobre corrupção:

Devem ser lembradas, ainda, as interrupções e réplicas feitas pela dupla de jornalistas da Globo a Lula na inquirição sobre corrupção, postura não observada em relação a Flávio.

Um momento específico da entrevista do Flávio evidenciou a conduta totalmente faccional dos entrevistadores. Foi na pergunta sobre a proximidade dele com Rodrigo Bacellar, o deputado aliado preso por envolvimento com o Comando Vermelho.

O questionamento com a resposta durou apenas 38 segundos [sim, 38 segundos!], sem que Tralli e Renata o interpelassem, como fizeram repetidamente com Lula.

A jornalista Neide Duarte, que trabalhou 42 anos na Globo, criticou duramente a opção falsificadora e manipuladora da Globo na entrevista do Lula. Ela disse: “vocês [Globo] continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora”.

A Globo tirou o simulacro de imparcialidade e isonomia e vestiu a camiseta do time do Trump, dos Bolsonaro e da extrema-direita. Entrou com tudo na eleição para tentar impedir o quarto mandato do Lula.

Originalmente publicado no blog do autor

Artigo Anterior

Proposta de Augusto Cury para usar influenciadores em embaixadas vira meme

Próximo Artigo

Globo utiliza radiodifusão para propagar inverdades

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!