
Oito palestinos morreram em ataques aéreos israelenses em Gaza e na Cisjordânia ocupada no fim de sexta-feira (28), enquanto Nickolay Mladenov, representante para Gaza do Conselho da Paz criado por Donald Trump, alertou que o território palestino pode desaparecer permanentemente.
Nos arredores de Khan Younis, uma casa atingida matou dois irmãos e outro parente, informou o Hospital Nasser. Outros dois ataques separados deixaram uma vítima em cada ação na Cidade de Gaza, conforme o Hospital Shifa.
O Exército de Israel confirmou as ações em Gaza, mas declarou não ter conhecimento da operação em Khan Younis. As mortes elevaram a tensão em meio ao cessar-fogo negociado entre Israel e Hamas.
Em Jenin, na Cisjordânia ocupada, drones israelenses mataram outros três palestinos. A ofensiva marcou a primeira ação aérea israelense na região desde fevereiro de 2025.

Incursão em Jenin impediu atendimento de feridos, diz Crescente Vermelho
O Exército de Israel identificou um dos mortos em Jenin como Qais Bitawi e alegou que ele estaria “envolvido no avanço de atividade terrorista significativa” com o Hamas em Gaza. O Ministério da Saúde palestino confirmou a morte, e o Hamas classificou o ataque como “crime hediondo”.
A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino afirmou que tropas israelenses entraram por terra no local atingido pelos drones e detiveram temporariamente socorristas. Segundo o serviço de ambulância, a ação impediu o transporte de feridos e mortos para o hospital.
A Cisjordânia ocupada registrou 87 palestinos mortos em 2026, além de três israelenses. Ataques de colonos e das forças israelenses contra palestinos cresceram nos últimos meses, mesmo durante as negociações de cessar-fogo.
Em entrevista à Al Jazeera neste sábado (29), Mladenov disse que Gaza poderá se tornar irrecuperável se a situação continuar. “Se permitirmos que Gaza continue na situação que temos agora, que é metade sob o controle total de Israel e outra metade com todas as pessoas espremidas em uma porção menor, Gaza desaparecerá. Ela desaparecerá para sempre e não haverá como recuperá-la”, afirmou.
O representante avaliou que cerca de 2 milhões de palestinos vivem em condições precárias e chamou o cenário de “tragédia humanitária”. Ele também alertou para o risco de radicalização entre crianças deslocadas: “Nós estamos plantando as sementes da próxima crise de segurança militar que irá surgir”.