
O Grupo Casas Bahia desistiu de cobrar R$ 422 milhões do Banco do Brasil e informou à Justiça de São Paulo, nesta sexta-feira (28), que negocia uma solução consensual com a instituição. A nova petição foi apresentada no processo de recuperação judicial da companhia, informou a Folha.
“O Grupo Casas Bahia informa a desistência de todos os pedidos relacionados ao Banco do Brasil S.A.”, afirmou a varejista no documento. O Banco do Brasil disse que não comentaria o caso, enquanto a assessoria do grupo informou que verificava a situação.
A cobrança tratava de garantias dadas pelo banco em contratos da Casas Bahia com Apple e Mapfre Seguros. A varejista sustentava que, depois de os fornecedores acionarem as fianças, o BB pagou os valores e debitou R$ 422 milhões de suas contas para obter ressarcimento.
O Banco do Brasil negou que tenha efetivado o débito e acusou a companhia de litigância de má-fé, alegação que não representa uma decisão da Justiça. Segundo a instituição, a petição da varejista se baseou em lançamentos futuros registrados em 21 de agosto, e não em uma retirada de recursos consolidada.

O BB afirmou ter tentado descontar o valor na terça-feira (25), mas a operação foi estornada por falta de saldo. Para o banco, “não houve qualquer débito de valores concretizado” nem redução patrimonial nas contas do grupo.
O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. Dez empresas integram a ação, entre elas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira.
Mesmo após retirar os pedidos ligados ao Banco do Brasil, a varejista manteve a solicitação de tutela de urgência. A medida busca uma decisão provisória para evitar ações individuais de credores enquanto a empresa tenta estruturar sua recuperação.
Na ação, a companhia também afirmou que o BTG Pactual teria restringido movimentações e consultas de saldo de suas contas. A Casas Bahia ainda apontou retenções de recebíveis de cartões por Cielo, Getnet e Redecard que, segundo seus cálculos, superam R$ 18 milhões, dos quais ao menos R$ 14 milhões estariam com a Getnet.