
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (28), durante sabatina no “Jornal Nacional”, que a prestação de contas do filme “Dark Horse” já ocorreu, mas não divulgou os gastos detalhados da produção sobre Jair Bolsonaro. Questionado sobre os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ele disse que “tudo já veio à tona” e classificou o episódio como “um livro fechado”.
O senador também evitou divulgar o contrato ligado ao financiamento do filme. Flávio disse que não assinou o documento pessoalmente e que não caberia a ele torná-lo público.
Em 19 de maio, após a divulgação de conversas em que negociava recursos com Vorcaro, Flávio afirmou ter pedido à produtora Go Up Entertainment e ao fundo Havengate uma prestação de contas das despesas. Na ocasião, prometeu que os dados chegariam “a todo mundo” em até 30 dias e “de forma transparente”.
O prazo passou sem a divulgação dos documentos prometidos. Em julho, a prestação de contas detalhada ainda não havia se tornado pública.
Flávio Bolsonaro respondeu por que ainda não apresentou documentos que comprovem a destinação do dinheiro recebido pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme ‘Dark Horse’. “Não firmei contrato com ninguém”, disse o candidato do PL à Presidência. “Todo o patrocínio que foi feito… pic.twitter.com/jtYsN54ioC
— GloboNews (@GloboNews) August 29, 2026
Perícia privada não detalha destino dos recursos
O documento usado por Flávio para sustentar que as contas foram prestadas é uma perícia privada contratada pela defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment. A defesa apresentou o material em um inquérito da Polícia Civil de São Paulo, sem tratá-lo como a prestação pública prometida pelo senador.
A perícia calcula que “Dark Horse” consumiu cerca de R$ 75,2 milhões, com recursos de investimentos privados. O laudo, porém, não revela os nomes dos financiadores, contratos, notas fiscais ou pagamentos individualizados a elenco, técnicos, hospedagem, alimentação e logística.
O documento também aponta um aporte de US$ 13,4 milhões do Havengate, mas não detalha a composição do valor. O perito Anisio Castelo Branco reconheceu que o trabalho não permite rastrear o destino final do dinheiro de Vorcaro depois que os recursos chegaram às empresas contratadas pela produção.
Castelo Branco afirmou ainda que não verificou se os preços cobrados estavam compatíveis com os valores do mercado audiovisual. Vorcaro havia se comprometido a aportar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, e pelo menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, foram transferidos; parte passou pelo Havengate, nos Estados Unidos, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro, e a Polícia Federal apura a destinação dos recursos.