
A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão da advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ela tentava embarcar para Brasília na terça-feira (25).
Inspetores identificaram o dinheiro durante a inspeção por raio X da bagagem. A quantia estava na mala de mão levada pela passageira para o voo com destino à capital federal. A identificação de Valéria como responsável pelo dinheiro foi confirmada durante a apuração do caso.
Após a localização dos valores, a PF levou os envolvidos ao plantão da Superintendência Regional em São Paulo para prestar declarações. Valéria afirmou que apresentaria posteriormente a comprovação fiscal da quantia.
Cezinha de Madureira é um dos articuladores da bancada evangélica no Congresso. Ele é próximo do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi o responsável por articular sua ida do PSD para o PL em abril deste ano.
O deputado também atua como ponte de diálogo entre Flávio e lideranças evangélicas do país. A relação entre os dois teve uma crise recentemente por causa de disputas políticas internas em São Paulo, com Cezinha e outros parlamentares cobrando o cumprimento de acordos de espaço em palanques e indicações na chapa majoritária.

Defesa diz que dinheiro veio de atividade jurídica
O advogado Daniel Bialski, que representa Valéria, afirmou que os R$ 510 mil têm origem lícita e documentação comprobatória. Segundo ele, ela recebeu o valor de um cliente em razão de atividade jurídica.
Em nota, Bialski declarou: “Esclareça-se que a advogada V.L. tem a origem lícita e comprovação dos valores recebidos de cliente e, por esta razão, nesta data será requerida a devolução de todos os valores.”
O defensor também sustentou que a quantia decorre de “atividade jurídica típica de advocacia, respaldada em Lei”. A Polícia Federal informou que a Justiça conduzirá os próximos trâmites sobre a apreensão.
Valéria concorreu ao cargo de deputada distrital pelo PSD em 2018 e recebeu 1.904 votos. Ela continua filiada à legenda.
A direção nacional do PSD disse desconhecer o caso. O diretório do partido no Distrito Federal afirmou que Valéria não participa das atividades partidárias.