
O Digimais, banco controlado por empresas ligadas ao bispo Edir Macedo, ganhou até 15 de setembro para realizar um aporte de R$ 2 bilhões, medida necessária para evitar a liquidação da instituição e manter de pé a negociação de venda ao BTG Pactual, segundo a Carta Capital. O Banco Central acompanha a crise financeira do banco, alvo de investigação da Polícia Federal.
O aporte estava previsto inicialmente para 14 de agosto, mas o Digimais não cumpriu o prazo. A capitalização busca recompor o patrimônio da instituição, que enfrenta perdas associadas a operações de crédito sob questionamento e a uma deterioração de seus indicadores financeiros.
A Polícia Federal e o Banco Central apuram suspeitas de gestão fraudulenta, superavaliação de ativos e inserção de dados falsos em demonstrações contábeis. A Operação Miragem, deflagrada em junho, investiga um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões; executivos tiveram sigilos bancário e fiscal quebrados, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens e valores.
O Digimais também mantinha cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025. Na representação que embasou a operação, a PF afirmou que o banco adotou práticas “estreitamente análogas às do extinto Banco Master”.

Venda ao BTG depende de capitalização e aval regulatório
O BTG confirmou em abril um acordo para comprar o Digimais, mas a transação ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores e de tratativas com outros interessados. Em negociações iniciais, o valor necessário para cobrir o déficit chegou a R$ 7 bilhões, diante de créditos sem lastro e inconsistências contábeis sob apuração.
O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, afirmou que a capitalização será necessária para recompor o patrimônio líquido do banco à medida que fundos reconheçam o valor dos ativos problemáticos, incluindo operações em atraso. Sem o novo aporte, a venda ao BTG e a continuidade do Digimais ficam em risco.
Segundo informações publicadas pela CartaCapital, a TV Record tende a bancar a maior parte dos R$ 2 bilhões, com outra parcela vinda de recursos da Igreja Universal. O grupo já havia injetado R$ 2 bilhões no banco em 2022 e transferiu mais R$ 250 milhões em dezembro de 2025, quantia que não cobriu o déficit.
Em áudio divulgado nas redes sociais, Macedo negou responsabilidade por irregularidades no banco. “Não ganhei um centavo desse banco. Eu não tenho nada com esse banco”, disse o fundador da Universal. A igreja declarou que ele não participa da gestão executiva, financeira ou contábil do Digimais, enquanto o banco afirmou que questões societárias, regulatórias e financeiras estão em análise e serão comunicadas pelos canais competentes.