
A Betnacional recebeu nesta sexta (28) uma diligência da Receita Federal em seu escritório no Recife (PE), durante uma operação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF). A marca, uma das maiores plataformas de apostas do país, ganhou visibilidade em anúncios protagonizados pelo atacante Vinícius Júnior e pelo narrador Galvão Bueno durante a Copa do Mundo de 2026.
A empresa também patrocina Cruzeiro e Sport; o contrato com o clube mineiro rende US$ 7,5 milhões, cerca de R$ 40 milhões, por ano. A Betnacional pertence à NSX Brasil e tem a Flutter Entertainment como controladora majoritária.
A Receita investiga a suspeita de que os responsáveis tenham usado uma empresa de fachada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação da plataforma ocorria fora do Brasil antes da regulamentação das bets. O órgão afirma que empresas nacionais ligadas ao grupo seriam as responsáveis efetivas pelas atividades no país.
Os investigadores também apontaram indícios de uso de contas mantidas em fintechs para dificultar o rastreamento da circulação de recursos e a identificação dos beneficiários finais dos valores. A operação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Em nota, a NSX Brasil confirmou a diligência e disse que seus advogados ainda não tiveram acesso aos autos. A empresa afirmou, por isso, que não poderia comentar o conteúdo da investigação e declarou que conduz as atividades em conformidade com a legislação, com controles internos e estruturas de compliance alinhadas aos padrões da Flutter.

Flutter comprou controle da marca fundada no Recife
A Flutter Entertainment comprou 56% da Betnacional no fim de 2024 por R$ 2 bilhões. Listado na Bolsa de Nova York, o grupo global de apostas também garantiu prioridade para adquirir o restante da companhia brasileira mediante o pagamento de um ágio de US$ 429 milhões, equivalente a cerca de R$ 2,2 bilhões na cotação atual.
A Betnacional começou a operar no Brasil em 2021, por meio da NSX Brasil, criada pelos primos João Guilherme Monte Studart e Eduardo Lima Monte. Eduardo ocupa o cargo de CEO da operação nacional, enquanto João preside o conselho; os dois também passaram a comandar no país a BetFair após a entrada da Flutter.
Em balanço anual, a Flutter apontou a insuficiência de informações sobre os proprietários da Betnacional como um fator de risco para investidores. Antes da compra do controle, o grupo já mantinha uma relação contratual de US$ 32 milhões com a NSX Brasil, sem detalhar a natureza do vínculo.
Na CPI das Bets, João Studart afirmou que a empresa recolhia IOF sobre entradas e saídas de recursos entre Brasil e Curaçao antes da regulamentação do setor. Ele disse que a sede no território caribenho permitia obter licença comercial de agregadores de jogos e sustentou que a condição de paraíso fiscal de Curaçao não tornava a operação ilegal.