A Polícia Federal remarcou para esta sexta-feira (28) o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha.
A oitiva da quinta-feira (27), por videoconferência, não ocorreu por instabilidade na conexão de internet do presídio. Até o fim da manhã desta sexta não havia confirmação oficial de que a nova sessão tivesse começado ou sido concluída.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, que passou a integrar a defesa ao lado de Sérgio Leonardo, afirmou que a equipe “aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para realização da audiência virtual, o que não foi possível”. A PF confirmou o adiamento por questão técnica. Não há horário oficial divulgado em todos os relatos.
É o segundo adiamento seguido. Na semana passada, a defesa pediu mais prazo para ter acesso à íntegra dos autos.
O depoimento é o primeiro de Vorcaro após a troca de advogado e depois de a PF e a PGR recusarem duas propostas de delação premiada, consideradas insuficientes pelos investigadores.
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Relações com o Banco Central de Campos Neto
Os investigadores também apuram a relação de Vorcaro com dois servidores de carreira do Banco Central, afastados das funções: Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (2019–2024), e Paulo Sérgio Neves de Souza, diretor de Fiscalização de 2017 a 2023, cargo para o qual foi indicado ainda no governo Temer, e depois chefe-adjunto da Supervisão.
A PF investiga se atuaram como informantes ou consultores informais do Banco Master em troca de vantagens, no período em que o banco enfrentava crise de liquidez e estava sob fiscalização. No celular de Vorcaro, peritos relatam ter encontrado o grupo de WhatsApp “grupo Master”, com a participação do banqueiro e dos dois servidores.
Ambos são funcionários de carreira desde 1998; o recorte de chefia coincide com a gestão de Roberto Campos Neto no BC.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O colapso do grupo deixou rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos.
Em paralelo, a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 60 dias no inquérito das operações Master-BRB, para ouvir outros diretores do banco público. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, permanece preso.
As apurações mencionam ainda o “Projeto DV”, grupo ligado a postagens nas redes em defesa de Vorcaro e contra o Banco Central, com relatos de pagamentos a influenciadores. A PF aponta o publicitário Thiago Miranda, da agência MiThi, como articulador do projeto: o mesmo que, em dezembro de 2024, intermediou o primeiro encontro entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para tratar do filme Dark Horse.