Amado ou não, Lula é simplesmente Lula, por Leila Cordeiro
Hoje, este texto está sensível. Profundo. Reflexivo e, acima de tudo, muito sincero.
A entrevista de Lula à Globo trouxe de volta muitas lembranças. Nós o conhecemos quando ainda era líder sindical, na época em que morávamos em São Paulo e ele começava sua trajetória política. Desde então, suas ideias e convicções sempre estiveram voltadas para a justiça social, a soberania do Brasil e a urgência de atender, por meio de políticas públicas, às necessidades básicas da população mais carente.
Sem precisar repetir tudo o que o mundo já sabe, Lula deu ontem uma aula de democracia, respeito à política e compromisso com o povo brasileiro.
Renata Vasconcellos e César Tralli, que haviam sido assertivos nas entrevistas com os três primeiros candidatos, abordando assuntos pertinentes, pareceram completamente perdidos diante dele. Foi uma entrevista visivelmente tendenciosa, conduzida muito mais com a intenção de constrangê-lo e fazê-lo cair em alguma armadilha do que de esclarecer a população.
Enquanto insistiam em perguntas que poderiam produzir uma frase condenatória, deixaram de aprofundar um dos temas mais importantes do momento: o tarifaço e a maneira como o Brasil enfrentará essa questão daqui para a frente, especialmente agora que Lula já foi procurado por Washington para uma nova negociação.
E aqui não se trata de ser de direita ou de esquerda. Não se trata sequer de ser a favor ou contra Lula. Trata-se de reconhecer que estamos diante de um verdadeiro presidente — alguém que coloca seu país, sua soberania e os interesses de seu povo acima de qualquer pressão estrangeira.
Também não adianta que os haters enfurecidos venham até aqui destilar seu ódio contra a realidade, refugiados no metaverso de absurdos que criaram. Tampouco aceito o argumento de que não posso opinar ou defender meu país porque vivo fora dele. Curiosamente, muitos dos que repetem esse discurso também vieram para os Estados Unidos — alguns não para construir pontes, mas para conspirar contra o próprio Brasil e destruir sua imagem em nome de interesses particulares e de uma ideologia reacionária.
Ontem, Lula foi Lula.
Com serenidade, experiência e firmeza, deixou seus adversários presos aos mesmos chavões empoeirados, aos mesmos preconceitos e às mesmas acusações que o tempo já fez caducar.
Podem amá-lo ou odiá-lo. Podem concordar ou discordar dele. Mas há algo que nem o ódio, nem as narrativas fabricadas, nem as armadilhas conseguem apagar:
Lula é simplesmente Lula.
Apesar de você…
(
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Leila Cordeiro é jornalista.
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