Manifesto pela Vida, pela Democracia e pelo Bem Viver

Foto: Reprodução

Da Página do MST

Diante da conjuntura que vivemos atualmente em nosso continente, buscamos reunir organizações, movimentos e dirigentes religiosos da região da América Latina e Caribe para discutir a importância e responsabilidade das religiosidades e distintas fés em se posicionarem frente ao acirramento dos ataques imperialistas nos nossos países. Assim, construímos um Manifesto, trazendo uma leitura conjunta do processo pelo qual passamos e como ele afeta diretamente a vida da classe trabalhadora na região, assumindo a importância do nosso posicionamento e ações concretas de luta.

Manifesto pela Vida, pela Democracia e pelo Bem Viver

Nós, movimentos, organizações e tradições de fé das Américas e do Caribe, convocados pelo diálogo ecumênico e inter-religioso, afirmamos nosso direito à vida, à democracia baseada na igualdade e ao bem viver. A partir de nossas diversas espiritualidades — cristãs, muçulmanas, judaicas, indígenas e afrodescendentes — compartilhamos valores fundamentais: a sacralidade da vida, a justiça como caminho para a paz, a solidariedade como resistência e o cuidado com a Criação. Esses valores constituem o fundamento ético a partir do qual levantamos nossa voz contra o império e suas agressões.

Rejeitamos firmemente qualquer forma de intervenção em nossos países. Diante dos poderes do século XXI — presidentes imperialistas, corporações tecnológicas, indústrias extrativistas, banqueiros e traficantes de armas — declaramos que nossos territórios são fonte de força e sustento, herança insubstituível de nossos ancestrais.

As agressões do império — bombas, bloqueios, dívidas ilegítimas e sanções unilaterais — já tiraram a vida de milhares de pessoas indígenas, afrodescendentes, palestinas, libanesas, sírias e iranianas. No entanto, cada vida ceifada se transforma em semente de resistência que germina em nossos bairros, comunidades e templos. Desmascaramos a falsa “ajuda humanitária” que busca apenas disfarçar a ocupação militar e o saque de nossos recursos naturais.

A partir de nossos territórios sagrados e de nossas identidades ancestrais, exigimos:

  1. Justiça para a Venezuela: Que os organismos internacionais condenem os EUA pela Operação Resolução Absoluta, que o presidente Nicolás Maduro e a deputada Cilia Flores sejam libertados de forma imediata e incondicional, e que a Corte Penal Internacional julgue esse crime contra a humanidade.
  2. Fim do genocídio econômico: A revogação das sanções unilaterais contra Venezuela, Nicarágua, Cuba, Síria e Irã, e o fim do criminoso bloqueio contra o povo cubano.
  3. Fim da ingerência regional: O fim do intervencionismo dos EUA no Brasil e o fim de sua cumplicidade na crise dos desaparecimentos forçados e do tráfico de armas no México.
  4. Soberania para o Haiti: O fim da ingerência dos EUA, da França e do Canadá, o cancelamento da dívida externa ilegítima e o fim do saque histórico.
  5. Proteção dos direitos e dos territórios: O fim da perseguição a lideranças indígenas, afrodescendentes e defensoras dos direitos humanos, a eliminação das bases militares estadunidenses na região e o fim do saque dos bens naturais pelas empresas transnacionais.
  6. Exigimos a retirada de qualquer tipo de ajuda do governo de Israel em nossos países, que, disfarçada de apoio humanitário ou de assessorias de qualquer natureza, esconde ingerência militar nos países e pretende melhorar a imagem de seus responsáveis pelo genocídio diante do mundo.

Ao mesmo tempo, nos comprometemos a:

  • Lutar contra a Doutrina Monroe e defender o princípio da não intervenção.
  • Exigir o fim do genocídio contra o povo palestino e o julgamento de seus responsáveis.
  • Promover a reforma do sistema da ONU para democratizar o Conselho de Segurança e limitar o poder de veto.
  • Acompanhar, com oração e ação, as comunidades perseguidas e construir pontes entre nossas tradições de fé.
  • Rejeitar os discursos de ódio que instrumentalizam a religião e promover uma espiritualidade ecológica.

A nossos governos, lembramos: nossos povos e a natureza não são mercadoria.

Para transformar este manifesto em ação concreta, convocamos nossas comunidades a refletir e agir: Como tecemos redes locais de solidariedade? De que maneira promovemos economias comunitárias e soberanas? Como nos formamos politicamente para desmascarar os mecanismos de dominação?

Continuemos levantando nossa voz, com os pés firmemente plantados na terra. Este manifesto é um chamado vivo para construir roteiros locais, para que a resistência seja alento e práxis em cada um de nossos territórios.

Assinaturas

Centro Martin Luther King
Bloque Panafricano de Venezuela
Colectivo Internacionalismo Afrodescendiente
Red de Organizaciones Afrovenezolanas (Venezuela)
Articulación Regional de Afrodescendientes de las Américas y el Caribe (Plataforma Continental)
Movimiento Cultural Cristiano Caleb
Frente Cristiano Bolivariano “Exeario Sosa Luján”
Eje de Iglesias y Espiritualidades de la Brigada Nacional de Búsqueda de Personas Desaparecidas (México)
Ecuménicos por la Paz (México)
Pastoral Social Evangélica (Argentina)
Mesa Ecuménica por la Democracia, la Vida y el Bien Común (Argentina)
Pastoral Social, Iglesia Anglicana de México
Unión Evangélica Pentecostal Venezolana
Cumbe Nacional Afrovenezolano
Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG)
KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço
Fórum Ecumênico ACT Brasil
Comunidad Evangélica Fe y Vida (Argentina)
Congreso de los Pueblos
Marcelo Barros, monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro
Reverendo Luis Sabanay, teólogo, pastor presbiteriano e coordenador de estudos sobre religião da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores – Brasil
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Coletivo Diáconos pela Vida
Conselho de Igrejas Cristãs – CONIC MG
Fórum Político Interreligioso
Cáritas Brasileira
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Pastoral da Juventude
Pastoral Afro
Padres da Caminhada
Bispos do Diálogo pelo Reino
Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) – Regional Leste 2
Movimento Mineiro de Fé e Política
Coletivo de Fé e Política de MG
Associação Brasileira para Economia de Francisco e Clara (ABEFC)
Grupo Esquerda Liberdade e Trabalho (GELT)
Günter Adolf Wolff, pastor luterano, Brasil
Eduardo Faria, Arcebispo Primaz da Igreja Anglicana do Brasil
Romi Márcia Bencke – Pastora, Brasil
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

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