Lula adotou “modo combate” e “foi para cima”, diz Sakamoto sobre sabatina da Globo

Lula com César Tralli e Renata Vasconcellos. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma postura firme na sabatina do Jornal Nacional de quinta-feira (27), deixando de lado o perfil “paz e amor” para entrar “em modo combate”, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto. O petista falou por cerca de 40 minutos com César Tralli e Renata Vasconcellos e passou boa parte do início sob perguntas sobre corrupção, envolvendo seu filho Fábio Luís, o Lulinha, o escândalo do INSS e suspeitas sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master.

“Ele não veio na defensiva. O ‘Lulinha paz e amor’ ficou em casa. Quem veio foi o ‘Lula do Velho Testamento’. A impressão é que ele não deu a outra face, foi para cima”, comentou Sakamoto.

Diante das sucessivas perguntas sobre Lulinha e Marcola, INSS e Master, “ele não ficou nas cordas, no córner; foi para cima”. O presidente ironizou a sequência de questionamentos: “Eu acho que é a hora de falar porque eu estava parecendo que eu estava no Ministério Público”.

Sobre Lulinha, Lula afirmou que não há acusação formal e classificou os elementos citados como “ilações tiradas de telefonemas”. “Se o Fábio cometeu qualquer ilícito ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro. Ele não será protegido por ser meu filho, meu irmão, nada. Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger meu filho”.

O presidente também negou conhecer a lobista Roberta Luchsinger: “Não conheço essa moça. Nunca conversei com essa moça e ela nunca esteve perto de mim”.

Lula cobrou desculpas da imprensa pelo noticiário da Operação Lava Jato. “A imprensa brasileira comprou a mentira, vendeu a mentira e nunca pediu desculpas. Você [Renata] sabe, como jornalista, que fui vítima da maior mentira montada neste país”.

O presidente também defendeu o senador Jaques Wagner: “Até agora não está provado que o Wagner tenha relações com o Banco Master. As pessoas são inocentes até que se prove o contrário”.

Na parte propositiva, Lula “dominou o tempo” e dificultou tentativas de interrupção. Ele afirmou que as fraudes no INSS foram descobertas e desmontadas por seu governo e que os aposentados foram ressarcidos.

Em outro momento da entrevista, Lula desmontou a narrativa de que seus governos “gastam demais” e se mostrou decepcionado com o enunciado da pergunta sobre responsabilidade fiscal. “Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, disse.

Lula declarou que recebeu o governo, em janeiro de 2023, com déficit de 2,8% e sem “orçamento para governar”. Ao tratar da dívida pública, o presidente afirmou que um patamar equivalente a 80% do Produto Interno Bruto não destoa de índices internacionais. “80% do PIB em dívida pública não é muito se olharmos para os Estados Unidos, para o Japão, para a Itália”, afirmou.

 

Sobre segurança pública, afirmou que criará o Ministério da Segurança Pública assim que a PEC for aprovada. O presidente também enviou um recado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao destacar a qualidade da educação no Ceará.

Lula também rebateu Renata Vasconcellos quando a apresentadora perguntou sobre o crescimento do crime organizado no Brasil durante os anos de governo petista. O petista ressaltou que, desde 1988, a segurança pública e o combate ao crime organizado é de responsabilidade das gestões estaduais.

Artigo Anterior

Cinco estados terão reforço de tropas federais para segurança nas eleições 

Próximo Artigo

Qual a lógica da imprensa, na campanha pró-Flávio Bolsonaro?, por Luís Nassif

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!