
A Uefa avalia mover um processo criminal contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, pelo plano abandonado de criar a Fifa Forward Enterprises (FFE), empresa que administraria competições como a Copa do Mundo e abriria participação para investidores externos.
Em documentos judiciais acessados pelo jornal britânico The Times, a entidade europeia afirma que as ações de Infantino podem configurar “má gestão criminosa”, prevista no Artigo 158 do Código Penal Suíço. A legislação estabelece pena de até três anos de prisão para esse tipo de crime.
A FFE venderia 20% de suas ações por US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,71 bilhões). A Uefa considera o valor “absurdamente baixo” e sustenta que a estrutura não passou por um leilão aberto e competitivo nem por avaliação independente.
O plano previa Joshua Kushner, dono do fundo Thrive Capital e ligado a Donald Trump, como principal investidor. A Uefa pede uma ordem judicial para obrigá-lo a entregar documentos sobre a proposta e prestar depoimento

Incentivo de US$ 40 milhões é questionado pela Uefa
A denúncia também questiona um incentivo de US$ 40 milhões, equivalente a R$ 206 milhões, que Infantino teria prometido às associações filiadas à Fifa em troca de apoio à FFE. “Infantino tentou forçar os membros a considerarem esse incentivo em um prazo muito curto”, diz um trecho do documento.
As federações receberam 53 dias para responder à proposta. Para a Uefa, o período não permitia uma análise adequada de uma “grande reorganização dos ativos comerciais da Fifa”, que, segundo a entidade, vinha sendo preparada em sigilo havia mais de um ano.
O anúncio da FFE provocou oposição de parte das associações nacionais, sob o lema de que “o futebol não está à venda”. A Uefa chegou a ameaçar boicotar torneios da Fifa e liderou a articulação contra o projeto, que acabou abandonado.
Agora, a Uefa atua com a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) para apoiar um candidato contra Infantino na eleição da Fifa, marcada para 27 de março de 2027. Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, descartou disputar o cargo, e o canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf, aparece entre os nomes cogitados pela oposição.