
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estrearão no horário eleitoral nesta sexta-feira (28) com estratégias opostas para ampliar o alcance de suas campanhas. Lula abrirá a propaganda com uma comparação de biografias e dará destaque às mulheres, enquanto Flávio concentrará sua primeira participação em segurança pública, custo de vida e na ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A campanha petista pretende contar a trajetória de Lula em um clipe musical, com referências à infância pobre, à atuação como líder sindical e aos três mandatos do presidente. O programa também apresentará ações do governo voltadas às mulheres, medidas contra o feminicídio e propostas para um eventual quarto mandato.
O PT discute se fará ataques diretos ao senador já na estreia. A equipe prepara peças que tratam do caso das rachadinhas quando Flávio era deputado estadual, da compra de uma mansão em Brasília e de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os petistas ainda reservam para programas posteriores uma ofensiva sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e sobre negócios imobiliários da família Bolsonaro. A definição sobre o momento de usar esse material considera pesquisas qualitativas realizadas pela campanha.

Flávio prioriza segurança e orçamento das famílias
Flávio Bolsonaro gravou parte de seu material em um supermercado para abordar o preço dos alimentos e combustíveis, o endividamento das famílias e a perda de poder de compra. Aliados resumem os eixos da estreia às preocupações de “sair de casa sem ter o celular roubado” e de saber “como vão fazer para pagar as contas no final do mês”.
A equipe econômica do senador prepara uma proposta voltada a pessoas endividadas, que ele deverá detalhar ao longo da campanha. Integrantes do grupo também cogitam usar a recuperação judicial das Casas Bahia como exemplo para sustentar a mensagem de dificuldade financeira enfrentada por empresas e famílias.
Jair Bolsonaro terá espaço relevante no primeiro programa do filho. Michelle Bolsonaro fará uma breve participação, e o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), ex-promotor e ex-secretário de Segurança de Alagoas, ajudará a defender o endurecimento contra a criminalidade. A campanha planeja incluir outros aliados nas semanas seguintes, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O PL deixará para depois os ataques sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência e que nega irregularidades. A propaganda eleitoral seguirá até 1º de outubro, e Lula terá 5 minutos e 31 segundos por bloco, ante 4 minutos e 20 segundos destinados a Flávio.