Krugman alerta para risco de Trump “punir” os EUA ao perder poder

Os Estados Unidos podem enfrentar uma nova onda de danos políticos e institucionais caso o presidente Donald Trump perca parte de seu poder nas próximas eleições, na visão do economista Paul Krugman.

Em artigo publicado nesta quarta-feira (26), Krugman sustenta que o comportamento do presidente americano demonstra não apenas uma deterioração da posição dos EUA no mundo, mas também uma crescente disposição de Trump em deixar sua marca sobre o país.

Segundo o economista, parte dos danos provocados pelo governo Trump já ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos. As ameaças, provocações, guerras comerciais e mudanças abruptas de posição teriam comprometido a confiança internacional no país. Washington passou a ser visto, em sua avaliação, como um parceiro menos confiável, disposto a romper acordos e utilizar seu peso econômico e político para pressionar outros países.

Krugman também questiona a imagem dos Estados Unidos como uma potência militar praticamente incontestável. A experiência recente envolvendo o conflito com o Irã, segundo ele, teria exposto limitações da capacidade americana de exercer poder e imposto custos adicionais à reputação internacional do país.

O resultado seria uma combinação particularmente prejudicial: os Estados Unidos não seriam mais vistos como um país confiável ou respeitável e tampouco exerceriam o mesmo grau de temor sobre seus adversários.

Para o economista, mesmo uma eventual saída de Trump da Casa Branca não será suficiente para restaurar automaticamente a posição anterior dos EUA, uma vez que governos estrangeiros passaram a conhecer uma vulnerabilidade que antes parecia menos evidente: a possibilidade de os Estados Unidos colocarem no poder um presidente capaz de concentrar níveis extraordinários de autoridade e de contar com ampla obediência da estrutura estatal.

A comparação mais controversa do texto é feita com o final do regime nazista na Alemanha. Krugman utiliza o título alemão “Der Untergang” — “A Queda”, nome do filme sobre os últimos dias de Adolf Hitler — para argumentar que líderes que percebem a perda iminente de poder podem reagir tentando destruir ou comprometer o próprio país.

Para Krugman, o ponto não é afirmar que Trump repetirá literalmente as ações de Hitler, mas questionar quanto dano um presidente enfraquecido ainda poderá provocar caso interprete a perda de poder como uma derrota pessoal.

O economista associa essa possibilidade ao caráter personalista do governo Trump. Na sua avaliação, a construção de projetos, a transformação de espaços públicos e a tentativa de colocar o nome e a imagem do presidente em diferentes lugares seriam parte de uma busca por permanência e reconhecimento.

Krugman chama atenção para o fato de que algumas das intervenções mais visíveis podem ser revertidas, mas os danos institucionais e internacionais que não podem ser reparados com a mesma facilidade.

A preocupação ganha ainda mais peso diante da possibilidade de Trump perder influência política nas eleições de novembro. Krugman afirma que não pretende fazer uma previsão específica sobre o que o presidente fará nesse cenário, mas considera perigoso assumir que ele não tentará utilizar o poder restante para retaliar seus adversários ou dificultar uma transição.

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