
O governo federal entrou diretamente na busca de Lito Sousa por acesso a pesquisas experimentais contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta terça-feira (25) que a pasta formalizou um pedido para que o piloto e influenciador seja incluído na fase inicial de triagem de um estudo conduzido por pesquisadores ligados a Harvard, nos Estados Unidos. O Itamaraty também mobilizou representações brasileiras no exterior para tentar facilitar o contato com centros de pesquisa.
“Hoje, infelizmente, não existe no mundo nenhum tratamento para a Creutzfeldt-Jakob”, escreveu Padilha em publicação no X. Segundo o ministro, integrantes da Saúde mantêm contato com a família de Lito desde o fim de semana e passaram a procurar centros e estudos dedicados à doença. A pasta então formalizou a solicitação para que o brasileiro seja considerado na triagem do estudo experimental.
Os pesquisadores informaram ao governo que Lito foi colocado na lista para essa avaliação inicial. Isso não significa que ele já tenha sido admitido no ensaio clínico, a eventual participação ainda depende dos critérios e do cronograma do protocolo, além das exigências da FDA, agência reguladora estadunidense. A pesquisa está em fase inicial e busca avaliar principalmente a segurança e a tolerabilidade da terapia, sem eficácia comprovada contra a doença até o momento.
Pessoal, em relação ao caso do querido Lito Souza, alguns pontos importantes: hoje, infelizmente, não existe no mundo nenhum tratamento para a Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Desde o final de semana, eu e outros membros do ministério estamos em contato com sua família e com…
— Alexandre Padilha (@padilhando) August 25, 2026
A iniciativa se soma à mobilização do Ministério das Relações Exteriores. Segundo o UOL, o Itamaraty acionou as embaixadas brasileiras nos Estados Unidos, na França e na Alemanha, países onde existem pesquisas relacionadas à DCJ, para apoiar as tentativas de acesso de Lito. A inclusão em qualquer ensaio, porém, cabe aos responsáveis científicos e regulatórios por cada estudo.
O novo movimento ocorre depois de a família encontrar barreiras nas duas principais frentes que vinha buscando. Nesta terça-feira, a Ionis Pharmaceuticals informou não aceitar novos participantes em seu estudo com o medicamento experimental ION717. Já o Broad Institute, ligado ao MIT e a Harvard, abriu a possibilidade de uma avaliação para o PRiSM, mas sem garantia de que Lito receberá a terapia experimental.
O PRiSM testa uma estratégia baseada em RNA de interferência para reduzir a produção da proteína priônica no cérebro, o estudo está atualmente em fase 1. Nessa etapa, o objetivo principal é verificar segurança e tolerabilidade; resultados obtidos em modelos animais não permitem concluir que a abordagem funcione em seres humanos.
Lito tem 59 anos e revelou publicamente o diagnóstico da doença neurodegenerativa e de progressão rápida. A família tem feito uma campanha para acelerar o acesso a pesquisas diante da piora de seu quadro.